À Sombra da Vida

À Sombra da Vida

Animado pelos sentimentos de ler a Montanha Brokeback decidi escrever uma história sobre homofobia também. Tá não sou a Annie Proulx, apenas brinco de escrever, pois estou longe de ser um escritor, porém imaginei uma história que começou como um conto e está crescendo. Não creio que chegara ao tamanho de um romance, mas que seja lá uma novela. Estou escrevendo intuitivamente sem grandes pretensões.

Se vocês tiverem curiosidade de ler um texto simples de alguém que sonha um dia ser escritor sintam-se a vontade para acompanhar Antônio em sua saga em busca da liberdade.

https://www.wattpad.com/story/57704186-à-sombra-da-vida

Por favor comentem lá ou aqui, mas o feedback, mesmo que negativo será de grande ajuda. Lembrem-se que é apenas um exercício, mas está divertido criar essa história. Relutei muito em postar por insegurança mesmo, mas o que é a vida sem um pouco de ousadia?

Annie Proulx

Annie Proulx

Sim, eu já assisti ao filme Brokeback Mountain, porém ler o texto que deu origem ao filme foi uma experiência totalmente diferente. Desde aquele dia no cinema o desejo de ler aquele conto instalou-se em mim, mas apenas alguns depois anos pude enfim concretizá-lo.

A história é totalmente narrada pelo lado de Ennis Del Mar. Um cara que luta pelo sustento sem muito afinco. Vive predominantemente de bicos e um dia aceita o trabalho de pastoreio de ovelhas. Ele é apresentado a Jack Twist, que, segundo a rotina imposta, veria muito pouco nas semanas que estavam por vir. Enfim, chegam ao vale no pé da montanha que dá título à história e lá descobrem um tipo de amor rústico e masculino, e esse sentimento sobreviveria suas vidas inteiras.

A narrativa é direta e as descrições dos diversos ambientes naturais no mostram exatamente os cenários que testemunharam a intimidade desses dois homens. Até que em um determinado dia a solidão e a carência falaram mais alto. Ennis, totalmente inexperiente nesse assunto, deixa-se levar pelo gesto de Jack. Assim, nascia uma história de amor impossível para a sua época e ambiente. Os dois seguem suas vidas, casam-se e com isso vem a distância. A realidade segue impondo os seus limites, então eles mantém seus papeis de masculinidade perante a sociedade, mas encontrando-se de tempos em tempos com a desculpa de pescar sem nunca trazer um peixe sequer.

Estou repetindo, eu sei, mas gostei tanto da história que é impossível não repetir. Então me vem a pergunta? Quem escreveu a história? Quem é Annie Proulx?

annie proulxAnnie Proulx é uma escritora norte americana, casada e divorciada duas vezes, tem dois filhos e é ganhadora de um prêmio Pullitzer. Sua escrita é crua e direta. Seus personagens são de uma realidade desconcertante. Começou escrevendo livros tipo “como fazer” e coisas assim, até dar início a sua produção de contos no começo dos anos 1980. Suas histórias narravam a vida das pessoas e como elas lutavam para superar seus próprios obstáculos.

Dentre o muito pouco que encontrei na internet sobre a escritora, ficou patente a necessidade de falar sobre questões sociais. Mesmo sobe o disfarce de histórias simples.  Até que cheguei a um texto no Time cujo título é “Por que Annie Proulx se arrepende de Brokeback Mountain.” Como assim, ela está arrependida? Mas eis que, com a minha pobre capacidade de tradutor, entendi os fatos e até concordo com ela.

Mas o problema surgiu com o filme. Tantas pessoas entenderam a história completamente errado. E acho importante deixar espaços em branco para os leitores preencherem com suas próprias experiências, mas infortunadamente a audiência que “Brokeback” atingiu mais fortemente é aquela com fantasias vívidas. E uma das razões porque deixamos os portões fechados é que muitos homens decidiram que a história deveria ter um final feliz. Eles não suportam o modo como ela termina – eles não aguentam. Então eles reescrevem a história incluindo todo tipo de namorados, novos amantes e por aí adiante após Jack ser morto. Isso me enlouquece. Eles não entendem que a história não é sobre Jack e Ennis. É sobre homofobia; é sobre uma situação social; é sobre um lugar e uma mentalidade pré-formatada e moralidade. Eles simplesmente não entendem. Eu não posso dizer quantas dessas coisas foram enviadas para mim, assim como eles esperavam que eu respondesse, “se eu tivesse a ideia de escrever assim”. E eles todos começam da mesma forma – Eu não sou gay, mas…  Isso significa que eles são homens e entendem muito melhor que eu como essas pessoas devia se comportar. Mas essa não é história que eu escrevi. E esses não são os personagens daquela história. Os personagens pertencem a mim por lei.

Para mim sempre ficou claro que o foco da história era a homofobia, até porque a história que Ennis conta a Jack sobre os dois fazendeiros que foram mortos de forma brutal deixa isso muito claro. Todos nós sempre torcemos por um happy ending, porém é algo que não cabe no conto. Não cabe mesmo!!! Eles lutaram a história inteira para ficarem juntos e apesar de alguns momentos tristes ele conseguiram seus momentos de paz.

Olhando para um texto assim, repleto de dicotomias, onde ficamos oscilando entre o bruto e o delicado, a força e a fraqueza, o sonho e a realidade, vejo a genialidade da escritora. Ela consegue nos transportar àquele mundo repleto de convenções e mesmo assim apresentar uma história de amor que dura, apesar de todos os problemas.

Amigos, que final é aquele? Não vou ser o cara dos spoilers então procurem o texto e o leiam. Pois nunca antes um cabide, um cartão postal e uma lata de feijão com duas colheres sujas tiveram tanto significado.

O filme é bom, mas o texto é excepcional! Quando eu crescer quero escrever como Annie Proulx. 

Sobre escrever…

Gostaria de escrever sobre temas nobres. Mas sobre o que um homem comum pode escrever? Na minha condição, alguém usando uma máscara, infelizmente apenas uma máscara, supondo estar além desse lugar comum de sempre, só posso por no papel palavras comuns. Seria um prazer estar além dos clichês, porém um simples gato de rua nunca alcançará a posição de um leão. Quem sou eu? Que direção seguir?

Do que você sente saudade?

Hoje surpreendi-me sentindo saudades de coisas pequenas.  Senti falta do sol durante a natação no SESI. Do medo que eu sentia ao final do treino de ter que compartilhar o vestiário com os outros atletas e ter meu orgulho masculino ferido pelas inevitáveis comparações. Até disso sinto um pouco de saudade. Me fazem falta as quintas-feiras e suas sessões baratas nos cinemas do centro. Fugir da aula do cursinho para bater papo no barzinho ali perto. Jogar conversa fora sem as preocupações com as contas a pagar. Caminhar por Fortaleza sem sentir medo da violência de atual.

A década de 1990 me assaltou a alma com tantos problemas, porém algumas bobagens foram tão agradáveis. Hoje como um homem de trinta seis anos todas aquelas fugas parecem banais… Será que eram mesmo?

Aqueles anos proporcionaram tantas descobertas, algumas bem dolorosas e outras bem alegres. Sinto falta daquele rapaz sem máculas que via o mundo por lentes cinzas as vezes. Eu era um jovem muito quieto, passava muito tempo na companhia dos fantasmas e vampiros de Anne Rice, da sacerdotisa Morgana e seu irmão Arthur de Mariom Zimmer Bradley e tantos outros formados apenas como decodificação de milhões de palavras. Essa forma de solidão acompanhada doía muito e foi trocada pelas amizades da fase do cursinho.

Eis que chegou 1997 e as muitas festas, afinal eu faria 18 anos e o mundo se descortinava. Eu sabia, então, quem eu realmente era. A sexualidade já não era mais um mistério, mas nesse momento a liberdade lhe conferia uma máscara totalmente nova. Eu ainda era um rapaz recatado, muitos tabus ainda não deixavam experimentar tudo o que eu desejava, mas o mundo era meu parquinho. Ia para o cursinho, como era chato aquilo, e logo conheci algumas pessoas. Então esse novo grupo fazia do centro da cidade uma festa. Todo o pouco dinheiro que conseguíamos era usado para usufruir daquilo que a noite oferecia. Muitos medos se foram naqueles dias, alguns tabus persistiam, nada de grave.

Naquele ano aprendi a me movimentar pelos grupos que surgiam, as muitas máscara que usamos para socializar começavam a fazer parte de fato da minha vida de quase adulto. Então, aprendi que podia experimentar coisas antes proibidas pela criação que tive e os últimos três anos dessa década foram, de certa forma, libertadores. Fiz muitas coisas que jovens nessa idade fazem. Bebi muito, fumei muito, “fiquei” muito, beijei muitos, transei com alguns. Esse tabu ainda persistia.

Mas o que mais me faz falta hoje é esse sentimento. De poder tudo. Hoje, apesar dos problemas de ordem prática, sou feliz. Curso uma faculdade que eu gosto, estou num relacionamento maravilhoso e sinto-me mais seguro como ser humano. No entanto, aquela sensação de desbravar o mundo, de pisar em terreno desconhecido, o frio na barriga de saber que tudo é novo e bonito, não ter medo de errar, que cada experiência da vida é nova… Ah como isso tudo era bonito.

A Bitch Named Desire!

A Bitch Named Desire!

Depois de uma semana sem postar estou de volta. Essa foi uma semana de sentimentos contraditórios, diria que os tais ainda estão aqui. Muita coisa mudou nesses seis meses e eu ainda não consigo lidar muito bem com essas mudanças. Existe sempre algo me puxando para baixo, colando meus pés na terra. Meu desejo, a tal bitch, era alçar voo. Sim, uma sensação filha da mãe.

Quando a gente quer fazer algo e a realidade nos impede.

Sou um tipo calado que não gosta de lamentações, escuto sempre as pessoas dizerem que sou muito tranquilo, essa semana mesmo disseram “o mundo se acabando e o Wanderson tranquilo.” Mas sempre existe uma outra verdade. Desculpem-me os que querem a verdade acima de tudo, mas estão errados. NÃO EXISTE VERDADE ABSOLUTA! Existem fatos, sim eles existem e podem ser citados em uma lista, porém eles podem ter diversos significados já que estão abertos a interpretações. Cada um interpreta o mundo por seus próprios olhos. É aí onde entra o desejo.

Alguns olham uma Ferrari e veem algo mais que um carro e para mim é apenas um carro como outro qualquer. Outros desejam viajar para os EUA porque podem fazer a compra da sua vida, para mim seria maçante ficar de loja em loja. Então, no meu caso, qual é o problema com o desejo? Eu quero coisas que estão fora do meu poder de realizar, ou por falta de dinheiro, ou porque a realização desse desejo depende da ação dos outros, ou porque não consigo simplesmente. Ah, e não me venha com esse negócio de coaching, que tudo é possível, basta querer e blá blá blá… Negócio frustrante.

Queria que as pessoas não brigassem tanto, queria poder voltar no tempo e ser expectador de algumas coisas para poder entender o presente, queria ter tido a ideia de escrever aquele livro que eu amo, queria ter as ferramentas para ser menos preocupado, queria ser mais social, queria não ser tão tímido, queria fazer uma viajem com todos os que eu amo… enfim minha lista de desejos é bastante longa. Não desejo a grande mansão, o carro mais legal, a roupa da moda. Definitivamente não. Meu mundo interno é mais interessante que o exterior por isso é tão complexo. Assim, as pessoas nunca me entendem e grande parte do tempo é solitário estar na minha pele. Meu desejo real era apenas poder conversar sobre o que eu gosto, sair e não ter que beber para me soltar e parecer interessante, que as pessoas gostassem de mim, mesmo eu sendo esse cara comum e não o mais extrovertido. Sinto isso todos os dias. Me pego pensando se sou eu que não sou interessante ou se gosto tanto de todos que gostaria de ter mais atenção.

Escuto sempre as pessoas me dizerem:

    • Vá lá!
    • Fale o que você pensa!
    • Não se importe com a opinião dos outros! (Esse é o pior para mim. Eu já sou trancado dentro de mim, já pensou se eu for indiferente? Serei um autista completo.)
    • Seja autêntico. (como assim, não sou autêntico? Quem quer tudo igual ao de todos os outros é autêntico e eu não?)
    • Saia de casa, veja gente! (qual será a diferença? Ficar em casa sozinho ou fora de casa, cercado de pessoas que eu não conheço?)

E segue uma relação longa de conselhos úteis que todos têm.

Enfim, loucuras a parte perdidas nesse texto desconexo, o desejo é sempre algo estranho, pode machucar ou pode mover. Quando está ao meu alcance eu batalho e quando não está exige um certo tanto de esforço para desapegar. Então é sempre uma luta.

O que eu digo a mim mesmo é o seguinte: “use um filtro e lute pelo que você consegue e aguarde que talvez um dia consiga o restante.” É o meu esforço para alcançar os meus desejos.