Dom Casmurro – #1

Dom Casmurro – #1

Li esse livro na época da escola um par de décadas atrás e talvez a imposição me fez sentir um certo distanciamento com os clássicos brasileiros. Os floreios e o preciosismo da linguagem tornavam a leitura enfadonha. Mas o tempo sempre passa e agora não sinto mais esse pesar sobre a leitura. Encontro um Machado novo e um universo totalmente diferente. Não posso dizer que a mudança tenha ocorrido por estar cursando Letras, pois naquela época eu já sentia o desejo, mas talvez seja a diferença de maturidade. Entenda-me. Não estou afirmando que sou maduro hoje, porém aos 36, quase 37, o mundo é totalmente diferente.

Então, repetindo, encontro um Machado novo, que apesar do remanescente preciosismo da linguagem, é fluido e leve. Os capítulos curtos trazem essa leveza à obra. O que tem facilitado a leitura, e me encontro adiantado no planejamento que fiz.

Então temos esse homem lembrando da sua vida na rua do Matacavalos, seu nome é Bentinho, porém por sua atitude perante a vida recebe a alcunha que dá nome ao livro, Dom Casmurro. O nome lhe dá uma certo ar de nobreza e todo o saudosismo traz o sentimento que o tornou célebre. Casmurro, aquele homem calado e entediado com a vida. Nas reminiscência por ele apresentada, conhecemos menino ainda, Bentinho, filho único criado pela mãe em companhia de um tio, uma tia e um agregado à família, esse é um tipo estranho. Sua vizinha, Capitolina, ou simplesmente Capitu, é uma menina com ares de moça. Ela possui uma inteligência curiosa, então perguntadeira, não possui uma fama muito agradável, o que todos relevam por ser apenas uma menina. Bentinho é prometido a ser padre, por força de uma promessa feita pela mãe. Ele é obrigado a estudar disciplinas referente ao seu futuro. Até certo momento ele é apenas um menino que não gosta realmente dos estudos, fato comum a maioria dos meninos muito ativos.

Um dia ele escuta uma conversa entre os adultos moradores da casa do Matacavalos. O agregado alertava a mãe de Bentinho sobre a possibilidade de o menino e a vizinha apaixonarem-se. A principal consequência desse fato era o menino desistir da promessa da mãe. Bentinho, até então, era apenas um menino, porém ao ouvir toda a conversa passou a refletir sobre a sua relação com Capitu. Pensando sobre os pormenores entendeu que era verdade. Estava apaixonado pela menina.

“Parei na varanda; ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer sair-me pela boca. Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar de um lado para o outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e estacava.”

Eu me pergunto qual o poder de influência daquelas palavras sobre Bentinho. Mesmo, o próprio Machado, alerta-nos sobre o fato. Passei esses dias pensando sobre isso e confesso que o destino tece suas próprias teias e muitas vezes somos aprisionados por esse tipo de ideia. Quem nunca se viu pensando sobre algo apenas por ter ouvido a opinião de alguém?

“Assim, o menino passa a ter consciência de tudo que cerca Capitu. Dos seus modos, das suas roupas, do seu olhar sedutor… Sim o menino sucumbiu à ideia e percebeu-se caído de amores por Capitu. Agora vivia numa agonia de dar dó. Não poderia ser padre e sentia como se a vida lhe pregasse uma peça detestável. Junto à menina tramou um plano para trazer o agregado para seu lado e tentar dissuadir a mãe da ideia. O quê, até onde alcanço a história, para desespero do menino não surtiu o efeito esperado.”

Mas Capitu estava ali, ao seu alcance e ao mesmo tempo inalcançável, partilhando conversinhas íntimas e brincadeiras menos infantis. Mas o grande dia chega, aquele marco divisório entre o menino e o jovem homem, por acidente acontece o primeiro beijo. Não consigo decidir se Capitu é mesmo uma mestre da sedução ou apenas muito consciente de si conseguindo esconder o que sente. Talvez as duas coisas. Mas divagações à parte, a relação entre os dois rapidamente atinge um novo patamar, chegando ao ápice de as duas crianças prometerem casamento futuro, mesmo dentro das situações mais difíceis. Como essa menina é esperta! Confesso aqui o meu medo de Capitu.

Esse é um resumo de onde estou na história. Confesso que tenho gostado muito. As imagens e as reflexões são incríveis. Nos mostram o poder de avaliação do mundo que Machado possuía. Não vou me alongar em análises pois ainda estou no começo e estou preparando uma avaliação pessoal mais criteriosa. A única coisa que posso afirmar até aqui é que, contrariando o meu pré-julgamento adolescente, a história caminha fácil e divertida, algo que camufla muito bem a profundidade para os leitor displicente.

“… há em cada adolescente um mundo encoberto, um almirante e um sol de outubro.”

“… a mentira é dessas criadas que se dão pressa em responder às visitas que a senhora saiu, quando a senhora não quer falar com ninguém.”

Eu acredito que essas construções é onde reside a genialidade de Machado de Assis. Sem me alongar deixo essa parte até aqui.

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imagens

“Talvez todos tenham um jardim do Paraíso, não sei, mas mal acabaram de vê-lo e já surgiu a espada flamejante. E talvez também aconteça que a vida só proporcione a escolha de lembrar o jardim, ou esquecer-se dele. Isto, ou aquilo: é preciso energia para lembrar, é preciso outro tipo de energia para esquecer, sendo necessário um herói para fazer ambas as coisas. As pessoas que se recordam estão cortejando a loucura por meio da dor, a dor da morte perpetuamente recorrente de inocência; as que esquecem cortejam outro tipo de loucura, a de negar a dor e o ódio à inocência. E o mundo se encontra em sua maior parte, dividido entre os loucos que se lembram e os loucos que se esquecem. Os heróis são poucos.”

James Baldwin em Giovanni

Crime e Castigo – 1ª Parte

Contén Spoilers!

Como eu disse no post sobre o desafio, Crime e Castigo é um livro que possuo há alguns anos, ensaiei ler os primeiros capítulos algumas vezes, porém por circunstâncias da vida abandonava o volume. Por isso o desafio ter um ritmo quase impossível, conhecendo-me bem posso dizer que se o desafio for muito fácil eu termino por desistir logo. Então, sem mais demora vamos à leitura.

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Rodion Románovitch Raskólnikov era uma dessas pessoas para quem tudo ao seu redor parecia tedioso, talvez por possuir uma inteligência acima da média. Encontramos o rapaz num cubículo sujo e escuro, vestido como um mendigo e passando fome. Habitava uma São Petersburgo suja, pobre, repleta de bêbados e prostitutas, onde a fedentina enche o ar e entra pelas narinas dos passantes. Viera do interior para estudar, deixando a mãe, essa vive de uma pequena pensão, e a irmã, governanta na casa de uma família abastada em sua terra natal. Abandonara os estudos por falta de recursos e pelo mesmo motivo fugia da senhoria do prédio como um vampiro da luz do dia.

Logo percebemos que algum plano ronda a mente de Rodia, assim chamado pela própria mãe. Ele deixou o pequeno cômodo naquela tarde de Julho para ir à casa de Aliena Ivanovna, uma velha detestável de quem o rapaz tomava dinheiro penhorando seus parcos pertences. Entretanto, aquela visita se mostra diferente, além do dinheiro, nosso amigo, tem outras intensões. Como um espião ele investiga todo o espaço do quarto que Aliena habitava com sua irma Lisavieta. Penhorou o relógio que foi de seu pai e saiu com uma pequena fração do que pretendia receber, mas conseguiu investigar o ambiente, seu objetivo principal.

Saiu de lá com o máximo de informações possível, apesar da velhota vil estar muito desconfiada. No caminho de volta, tomado pela fome, Raskólnikov para em uma taberna suja e conhece Marmieládov. Um bêbado contumaz. Tomado pela bebida, ele se atira à mesa do rapaz e inicia um conversa que termina em narrar praticamente toda a sua vida. Animalizado pelo vício, o bêbado narra sem pudor que é casado pela segunda vez, e a única filha do primeiro casamento é obrigada a prostituir-se para alimentar os irmãos mais novos e a madrasta. Estava ali bebendo os últimos “copeques” da renda da filha. O senhor passou bastante tempo ali, conversou longamente com rapaz sobre suas dores. É claro nesse ponto da narrativa que nem toda pobreza é causada pela falta de trabalho, pois aquele homem era vítima de seus vícios. Muitíssimo habituado às próprias dores, ele perdera duas vezes trabalhos importantes naquela sociedade. Ao fim do longo monólogo, voltou amparado pelo rapaz e mais uma vez voltamos a ter contato com o misterioso plano de Raskólnikov. Ao deixar o lugar onde mora o bêbado o rapaz deixa algumas moedas para a triste família.

No dia seguinte, mesmo assombrado pela fome, nada o agrada. Até a refeição rala, trazida pela cozinheira da senhoria do prédio, não lhe muda o ânimo. Apenas uma carta de sua mãe o traz de volta à realidade. A longa missiva narra as desventuras de sua família: o pouco dinheiro, os empréstimos, a irmã que quase perdeu a honra numa confusão com o ex-patrão e sua esposa e, por fim, um súbito noivado. Esse último fato o traz de volta à vida. O noivado lhe parece quase uma prostituição, o que acelera o plano. Sai do prédio tão irritado esquecendo até os aluguéis atrasados e o risco de encontrar a credora. No trajeto até a casa de um amigo encontramos mais uma situação inusitada. Um menina caminha trôpega pela rua, aparentemente ela havia sofrido alguma agressão sexual. E mais uma vez o pobre Rodia perde alguns copeques tentando ajudar.

A saga do nosso rapaz continua, cai fraco e doente e por algum tempo dorme no relento. Volta à casa e põe o plano em ação. Paramenta-se, encontra a arma do crime e vai até a cena do crime: o lar da velha agiota. Ele consegue ultrapassar a desconfiança da senhora e subitamente a ataca a machadadas. A cena segue, o corpo sangrando no chão e o rapaz procurando por bens valiosos pelo quarto. Percebemos os muitos sentimentos de Raskólnikov, contraditórios, mas enfim, está feito e não é possível voltar atrás. A irmã entra e mesmo tomada pelo horror da pintura grotesca é também vítima do ex-estudante. A primeira parte termina com Rodia escapando mesmo tendo um pequeno contratempo.

Dostoiévski - 1863
Dostoiévski – 1863

Dostoiévski nos mostra uma sociedade doente, dominada pela pobreza, pelo vício, pela ganância e pela torpeza. São Petersburgo é esse lugar onde mesmo as pessoas bem intencionadas são vítimas. Vejamos o próprio Raskolnikov até aqui. Ele surge como um rapaz falido, sem esperanças e decidido a mudar rapidamente o seu destino. Ele esta afogado em sentimentos ruins tendo apenas breves suspiros de bondade, algo que torna o personagem complexo e interessante. O escritor, como todos sabem, descreve com maestria os ambientes e as pessoas. Foi fácil desenhar na mente todos aqueles personagens e cenários. Para mim o que mais surpreende são as descrições psicológicas, todas muito claras, nos ponde sempre a par de qual lugar e momento exatos de cada um.

“Detalhes, os detalhes são o principal! São justamente esses detalhes que botam a perder sempre e tudo…”

Raskólnikov

Crime e Castigo é um texto que exige atenção porque as descrições são essenciais à história, e mesmo assim, interessante e nos prende. Eu li as oitenta e uma páginas em duas sentadas, algumas vezes voltei algumas páginas para ter certeza do que estava acontecendo. Voltei também para absorver a escrita e as descrições. Apesar da sujidade e feiura de tudo é um texto belíssimo e eu estou encantado!!!

Um abraço e até a próxima quarta.

DESAFIO

DESAFIO

Minha vida tem sido um desafio ultimamente. Trabalho oito horas por dia, estudo à noite e ainda me proponho a escrever e publicar no Wattpad, além disso, também estou escrevendo um romance YA. Ufa, sem contar o fato de dar atenção ao meu namorado e à família (quanto a essa tenho estado bem relapso, admito). Sem tempo para qualquer coisa comecei a ler textos curtos, o último foi o BrokeBack Mountain e devo dize que é belíssimo, por favor LEIAM!

Mas como estudante de letras devo me impor uma rotina de leitura dos clássico e depurar minha crítica. Eu sei, shame on me!!! Não tenho lido nada assim e por essa razão decidi me impor duas metas para 2016:

  1. Ler um clássico da Literatura mundial por mês.
  2. Ler um livro de Machado de Assis por mês.

Confesso ruborizado, até hoje li apenas Dom Casmurro de Machado de Assis e isso aconteceu durante o ensino médio.

Assim sendo, para janeiro perseguirei  esses dois volumes:

  • Crime e Castigo de Fiodor Dostoiévski. Já comecei e parei umas cinco vezes, porém é hora de concluir. Tentarei ler pelo menos 25 páginas por dia para dar conta de concluir até o dia 31 de janeiro.
  • Dom Casmurro de Machado de Assis. Sendo agora mais “idoso”, acredito que terei um outro olhar, menos preconceituoso, sobre o meu ilustríssimo xará, para quem não sabia meu sobrenome é Assis Dias.  Esse livro eu lerei no Kobo então tentarei ler  5% por dia, assim é mais fácil de acompanhar.
Crime e Castigo - Fiodor Dostoiévski : Dom Casmurro - Machado de Assis
Crime e Castigo – Fiodor Dostoiévski : Dom Casmurro – Machado de Assis

Vou compartilhar as minhas leituras por aqui. Quando for possível, vou escrever sobre a leitura de Crime e Castigo às quartas e Dom Casmurro aos sábados. Quando a semana for mais difícil postarei quando puder. Caso não acabe até o fim do mês continuarei no mês seguinte sem problemas.

Dia 25  vou dividir com vocês quais serão os objetivos para fevereiro.

Quem leu até aqui meu agradecimento sincero e até o próximo post!!!

 

Os Hábitos Diários dos Artistas

Os Hábitos Diários dos Artistas

Embora poucos de nós goste de ouvir isso, para ter sucesso em qualquer empreitada é necessário paciência, treino constante e rotina diária. Para tomar um simples e bem merecido exemplo, não é por nada que Stephen R. Coveys, autor de best-sellers sobre negócios e auto-ajuda, oferece-nos “7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes”, em vez de “7 Descobertas Súbitas que Mudarão sua Vida para Sempre” – embora se creditarmos aos e-mails, propagandas e links patrocinados a bagunça das nossas vidas on-line, podemos terminar acreditando em soluções rápidas e estradas fáceis para a fama e a fortuna. Mas não, uma habilidade bem desenvolvida surge apenas com o conjunto de rotinas praticadas.

Dito isso, o tipo de rotina que se escolhe depende de muitas circunstâncias pessoais, dessa forma um hábito de uma pessoa criativa não necessita parecer exatamente com os de outras pessoas. Quando falamos sobre a vida dos escritores, esperamos fatos comuns entre eles: um lugar onde se possa escrever livre de distrações, algum método preferido de transcrever o texto do cérebro para o papel, alguma hora do dia em que o fluxo do pensamento funcione melhor. Fora desses parâmetros básicos, a vida diária dos escritores pode parecer tão diferente quanto as imagens em suas cabeças.

Porém parece que uma vez que um escritor se acostuma com um conjunto de hábitos – quaisquer que sejam – eles se prendem a essas rotinas com um rigor particular. A rotina de escrever, diz o hiper prolífico Stephen King, “não é diferente da rotina de deitar para dormir. Você vai para a cama de forma diferente a cada noite? ” Aparentemente não. Quanto ao porquê termos nossas muitas manias, para a hora de deitar, ou para a hora de escrever, King responde honestamente, “eu não sei”.

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Stephen King

Então como é a rotina de King? “Existem certas coisas que eu faço quando sento para escrever”, ele cita nas palavras de Lisa Rogak em “Haunted Heart: The life and Times of Stephen King”:

 “Eu tomo um copo de água ou uma xícara de chá. Existe mais ou menos uma hora que eu sento, entre 8:00 e 8:30, em algum momento nessa meia hora toda manhã”, ele explica. “Tomo minha pílula de vitamina e coloco uma música, sento na mesma cadeira e os papeis arrumados nos mesmo lugares. O propósito cumulativo de fazer as coisas da mesma maneira todo os dias parece uma forma de dizer à mente, você estará sonhando em breve. ”

A citação de King vem até nós através do site (e agora livro) “Daily Routines”, que apresenta breves resumos de “como escritores, artistas e outras pessoas interessantes organizam seus dias”. A seção sobre escritores do site da mesma forma oferece uma janela para dentro das práticas diárias de uma ampla variedade de autores, desde os vivos aos mortos há muito tempo.

Um contemporâneo de King, embora mais lento, um escritor diligente mais autoconsciente, Haruki Murakami incorpora em seu dia de trabalho sua paixão por corridas, algo que ele tornou central em sua filosofia de trabalho. Assim, Murakami mantém uma programação atlética de escrita e rotina.

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Haruki Murakami

Quando estou em modo de escrita para um romance acordo às 4:00 da manhã e trabalho por cinco ou seis horas. À tarde, corro por 10Km ou nado por 1500m (ou ambos), então eu leio um pouco e escuto um pouco de música. Deito-me às nove da noite. Mantenho essa rotina todos os dias sem variação. A repetição por si torna isso algo importante; é um a forma de hipnose. Eu me hipnotizo para alcançar um estado mental mais profundo. No entanto manter essa repetição por muito tem1po, de seis meses a um ano, requer uma boa quantidade de força mental e física. Dessa forma, escrever um romance longo é como um treinamento de sobrevivência. A força física é tão necessária quanto a sensibilidade artística.

Nem todos escritores conseguem aderir a tal modo disciplinado de vida e trabalho, particularmente àqueles autores cujas horas em que estão despertos são, no geral dolorosamente, compartilhadas com empregos.

Um caso quase arquetípico de escritor preso em tal situação, Franz Kafka manteve a rotina que debilitaria a maioria das pessoas e  que não trouxe a força física, para dizer o mínimo. Como Zadie Smith escreve sobre o retrato do autor na biografia de Louis Begley, Kafka “desesperava no seu turno de doze horas que sobrava tempo para a escrita. ”

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Franz Kafka

Dois anos depois, promovido à posição de chefe de escritório no Workers’ Accident Insurance Institute, ele estava agora no sistema de um turno, 8:30 às 14:30. E então? Almoço até 15:30, então dormia até 19:30, então exercícios, então jantar com a família. Depois que ele começou a trabalhar por volta das 23:00 (como Begley cita, a carta – e diário – escrito tomava pelo menos uma hora por dia, e mais normalmente duas), e então “dependendo da minha força, desejo, e sorte, até uma, duas, ou três horas, uma vez até às seis da manhã”. Então “cada esforço imaginário para ir dormir, ” com ele totalmente descansado para ir trabalhar no escritório mais uma vez. Essa rotina fez com que ele estivesse permanentemente a beira do colapso.

Poderia ele ter escolhido uma maneira mais saudável? Quando sua noiva Felice Bauer sugeria isso,  ele respondia, “Essa é a única possível; se eu não posso suportá-la, tanto pior; mas suportarei de alguma forma.” Assim o fez, até próximo a sua morte por tuberculose.

Enquanto a rotina dos escritores, em nenhum lugar está escrito que seus hábitos são saudáveis ou comedidos. De acordo com Simone de Beauvoir, o exageradamente francês, escritor Jean Genet “sentava-se doze horas por dia durante seis meses quando estava trabalhando em algo e quando tinha terminado deixava passar seis meses sem fazer nada. ” Então existem aqueles escritores que têm se apoiado práticas pontualmente insalubres, mas mesmo assim fez uma pessoa tão aparente conservadora como W. H. Auden, que “engoliu benzedrine toda manhã por vinte anos… equilibrando seus efeitos com o barbitúrico Seconal quan ele queria dormir. ” Auden chamava o habito da anfetamina de “dispositivo para salvar o trabalho” na “cozinha mental, ”  embora e adicionava que “esses mecanismos são muito cruéis, suscetível de ferir o cozinheiro e de constante avaria.”

Então, eis aí, diversos modelos de rotinas e hábitos nas vidas de escritores de sucesso. Embora você possa tentar copiá-los se você tem ambições literárias, provavelmente é melhor você descobrir os seus próprios métodos, adequados às suas particularidades ou suas tolerâncias – ou não – para exercícios físicos sérios ou substâncias que alteram o estado da mente.

Esse texto é uma tradução livre do fonte abaixo:

http://www.openculture.com/