UM EMOJI É UMA PALAVRA? ¯\_(ツ)_/¯

UM EMOJI É UMA PALAVRA? ¯\_(ツ)_/¯

O avidamente antecipado “Oxford Dictionaries Word of the Year for 2015” foi anunciado. E é:1f602 . É o emoji conhecido oficialmente com “Rosto com Lágrimas de Alegria,” mas você pode conhece-lo como “chorando de tanto rir.”

As reações ao anúncio variaram de  1f604 para 763a1e17c2368ecebe244218a9ef19bf para 9a8a47633af621d0db0a1d2ab2868b70  para af2faf4d7ec922b00690c28c599e3d1b para “:P” para  ¯\_(ツ)_/¯. Algumas pessoas acham que os lexicógrafos de Oxford estão trolando os guardiões da língua. (Eles podem estar certos) Mas a grande pergunta é: É  mesmo uma palavra?

Podemos usá-lo escrevendo como uma palavra: Podemos colocá-lo em no lugar de qualquer interjeição como tsk ou ou hahaha ou nãã, quando importa, frustração ou impaciência, todos os quais são palavras. E podemos usá-la em lugar de outros tipos de palavras também. Mas se é uma palavra, como se diz? E que tipo de palavra é ela?

A visão padrão é que a linguagem escrita representa a linguagem falada, a qual pensamos como as coisas que dizemos diagramadas numa sentença ou podemos definir num dicionário. Mas a comunicação falada é apenas um tipo de gesto do espectro. É apenas o tipo mais fácil de marcar e estritamente definir – parcialmente porque colocamos o máximo de esforço em fazê-lo com ele. E as palavras nas sentenças são de longe mais fáceis e mais obvias de escrever do que as outras partes. Então usamos algumas marcas como “! para tentar exprimir um determinado tom, caso contrário é tudo o que podemos escrever com letras e alguns símbolos. Tentamos administrar o que fica a cargo das expressões faciais e dos gestos que fazemos.

Até agora. Agora, finalmente, os gestos, além do discurso, estão começando a receber o mesmo tratamento do discurso. Desde 1982, quando Scott Fahlman propôs “:-)” para o uso em mensagens de texto simples no quadro de mensagens digitais do Carnegie Mellon, temos uma forma codificada de pôr um sorriso em forma impressa para indicar uma atitude amigável ou bom humor, e o significado de “:-)” em uma mensagem não é mais difícil de definir como um “ok”. (E, como gostamos de simplificar as palavras podemos usá-la aqui simplificando “:-)” para “:)”, e porque não.) Surgiram outros emoticons após esse que se expandiram com a adição aos caracteres Unicode. Desde 1999, criados por Shigetaka no Japão, temos os emoji.

Em cada caso, os emoticons e os emoji são representações da existência de gestos codificados – um sorriso, uma careta, um dar de ombros, um grito – ou um objeto que tenha nome. Sabemos exatamente o que “¯\_(ツ)_/¯” significa. Nós mesmo já fizemos isso muitas vezes. A definição em um dicionário seria a fração do alcance da definição de uma palavra como set ou well. Embora isso não seja exatamente o mesmo que a definição de shrug – ele tem elementos de um sorriso estranho ou um meio sorriso, e não estamos nos referindo ao ato, mas estamos agindo, no papel. O mesmo acontece com palavras como boom ou splat que se imitam a performance do som que imitam.

Já que encontramos uma forma de pôr gestos no papel, surgiu um efeito de retorno. Pense em LOL. Quer dizer “Laghing out loud” e originalmente significava que a pessoa estava realmente rindo alto, ou ao menos estaria se eles estivessem falando ao invés de digitando. Mas no texto ele se torna ele mesmo: podemos pronunciá-lo, usá-lo como substantivo (mesmo que seja apenas para os LOLs), duplica-lo LOLOLOL. Dessa forma ele alimenta o discurso de uma forma mais complexa do que era antes. O mesmo acontece com o 1f602.

É verdade que 1f602 não utiliza letras, mas nem 7 ou & usam e ambas significam algo que usam palavras. É também verdade que não pronunciamos 1f602, mas o usamos como gesto. Podemos brincar com ele e usá-lo de diferentes tipos de palavras. Eis alguns tipos de palavras que 1f602 pode assumir:

Interjeição: É forma mais comum de uso: como em tsk,, haha e por aí vai, ela pode ser uma expressão por si mesma, preenchendo as mesmas lacunas como uma oração inteira, porém sem substantivo ou verbo, apenas para expressar uma atitude. Por que escrever “chorando de tanto rir” (que usa 18 caracteres dos 140 que podemos usar no Twitter) quando você pode apenas usar 1f602? Se quisermos enfatizar podemos usar mais de um  1f6021f6021f602– assim como tsk tsk tsk ou hahahahaha.

Orações Adverbiais: Podemos dizer que emoticons e emoji podem ser usados como orações adverbiais, transmitindo uma atitude para o enunciado como um todo, como honestamente em “honestamente, não me importo”. Normalmente os colocamos no fim da oração o que não é comum em orações adverbiais, e usamos vírgula como em “não me importo, honestamente”, provavelmente não usaríamos a vírgula em “não me importo :P”. Podemos coloca-los no começo da oração – 1f602 Ridículo! – percebem que colocamos letra maiúscula na próxima palavra? Isso sugere que tratamos as duas como expressões separadas, como em “Hahaha! Que ridículo!” Não usamos, geralmente, como os outros tipos de advérbios pois não é comum encontrarmos formas como “Que 1f602 louco!”

Adjetivo: Podemos usá-lo como What’s up with the 1f602  face?, mas não é comum. É mais comum seu uso como predicativo, como em I’m feeling really 1f602 about that.

Substantivo: Você pode escrever I got a lot of 1f602 out of that. Mas provavelmente usariamos o plural: How many 1f602s did you get out of that?

Verb: There’s no big problem with If he does that I am going to . But we can’t easily conjugate it. It likely looks wrong to put He really  a lot orYesterday he  all evening.

Verbo: Não é um problema escrever If he does that I am going to 1f602. Porém podemos facilmente conjuga-lo. Mas parece errado escrever He really 1f602 a lot ouYesterday he 1f602 all evening.

Mas, não importa como você usa o 1f602 numa oração, ainda não podemos pronuciá-lo! É verdade que a linguagem falada é apenas um modo comunicativo, e não é o único tipo que pode ser claramente codificado e definido – temos muitos tipos de gestos e expressões faciais que não são menos claras que as palavras – mas sempre guardamos a palavra “palavra” para o tipo de gestos que podemos usar para os sons do discurso.

Então é tempo de mudarmos isso? ¯\_(ツ)_/¯ . Oxford já mudou.

Texto traduzido de Is an emoji a word? ¯\_(ツ)_/¯

Oxford Dictionaries Word of the Year 2015

Anúncios

Resenha: Incidente em Antares

Resenha: Incidente em Antares

Incidente em Antares

     Erico Verissimo nos traz esse romance que, dividido em duas partes, nos conta a saga dos habitantes da cidade fictícia de Antares. Na primeira parte, chamada Antares, temos a história da cidade, desde quando era apenas um povoado na região de fronteira do Rio Grande do Sul chamado Povinho da Caveira, dominado sob a mão de ferro de Francisco Vacariano. Após alguns anos o povoado é elevado a Vila e assume definitivamente o nome de Antares, que Chico Vacariano teimava em explicar como “lugar das antas”. Não muito depois chega à cidade Anacleto Campolargo e foi estabelecida a sanguinolenta inimizade entre os dois clãs. “(…) foi ódio à primeira vista”. Como uma herança genética, a inimizade passou para os descendentes de ambas as famílias que se digladiavam por motivos políticos, comerciais e até no futebol, os ódios e as vinganças cresciam em requintes de crueldade.

     O século virou e Antares começa a se modernizar com o telégrafo, o jornal, o frigorífico, o automóvel e etc., vamos acompanhando a modernização de Antares e as relações políticas se tornando mais complexas e de maior alcance. Então, a pedido do ainda deputado Getúlio Vargas, Xisto Vacariano e Benjamim Campolargo, apertam as mãos sem se olharem cara a cara, selando assim uma paz dolorida, após sessenta anos sem trocarem uma palavra. Com a ascensão de Vargas à Presidência da República, Tibério Vacariano, herdeiro de Xisto, vai ao Rio de Janeiro e a partir daí acompanhamos todos os seus trambiques e negociatas, conseguidas usando o nome do atual chefe de governo, e também acompanhamos a situação política do Brasil. Do lado dos Campolargo é Quitéria, nora de Benjamim, quem assume o clã. E as duas famílias seguem com sua amizade ácida. As condições políticas em Antares vão se deteriorando até que a classe operária decide entrar em greve.

Os mortos deixam seus caixões.
Os mortos deixam seus caixões.

     A segunda parte, O Incidente, começa no dia 11 de dezembro de 1963, com o início da greve geral, que, para o espanto das famílias conservadoras, todas as categorias de trabalhadoras aderiram à greve. Nesse dia sete pessoas morrem em Antares, quase uma calamidade para um município daquele porte. Entre os defuntos de Antares estava Da. Quitéria Campolargo, vítima de um ataque cardíaco, e ao chegar ao cemitério para o sepultamento de Da. Quita descobre-se que os coveiros também aderiram à greve geral. Assim, os sete caixões são deixados na porta do cemitério aguardando o fim da greve. No meio da noite um ladrão, ele ouvira dizer que a matriarca dos Campolargo estaria portando joias de grande valor, decide abrir o esquife a procura do tesouro e foi pego de surpresa quando a defunta de olhos abertos lhe entrega a alma tomando o gatuno por Deus. Após a surpresa inicial dos insepultos, eles descobrem que cada um representava um tipo de habitante de Antares: Uma representante de uma das duas grandes famílias, um advogado vendido, um anarquista, um louco, um comunista, um bêbado e uma prostituta. Decidem voltar à cidade e reclamar o seu direito a um sepultamento digno. Quando amanhece a cidade é tomada pelo odor pútrido dos cadáveres. Eles, após visitarem seus afetos e desafetos, se reúnem no coreto da praça. Ali os defuntos expõem todas as torpezas dos cidadãos. A podridão está em toda parte, tanto dos corpos em decomposição dos cadáveres quanto tanto das vísceras expostas da sociedade antarense. Cornos, esposas desonestas, pederastas, ladrões, fofoqueiras, políticos corruptos, peculatos e todo tipo de sordidez é desmascarada já que os mortos não estão mais a mercê das punições dos homens.

     Nuvens de urubus e milhares de ratos tomam a cidade, os habitantes se revoltam e resolvem atacar os defuntos que decidem voltar aos caixões e então os grevistas permitem os sepultamentos, então aos poucos a cidade retoma a sua rotina e tudo é esquecido e sequer vira lenda, de uma forma tal que todas as transgressões foram remidas.

     Erico Verissimo faz parte da segunda geração do modernismo, também chamado de neorrealismo, baseado no regionalismo, denúncia social, enfoque nos fatos como espécie de documentário e linguagem mais brasileira. Conhecido pela grande obra O Tempo e o Vento, de dimensões proustianas, o autor narra em sua obra tanto a vida urbana nas grandes metrópoles quanto a história e os costumes do Rio Grande do Sul. Incidente em Antares é sua última obra, Verissimo faleceu em 1975 e nos deixou seu legado dividido em romances, contos e livros infantis.

     Incidente em Antares é um romance com dupla característica, a primeira é o caráter de romance histórico tradicional da primeira parte e o segundo é o romance de realismo mágico. Na primeira parte acompanhamos o desenvolvimento social do Rio Grande demonstrado no microcosmos da cidade de Antares. Fatos verídicos servem de pano de fundo para a obra ficcional. A segunda parte, com característica de realismo fantástico e é de forma inusitada que o realismo fantástico se apresenta. Após cerca de 90 capítulos somos arrebatados pelo incidente, os olhos abertos de Da. Quinta Campolargo iniciam a saga dos defuntos deambulantes. Todo o inusitado é substituído pela sátira menipeia, onde os mortos apontam os defeitos dos vivos. Ao morrerem aqueles personagens veem a vida por uma nova perspectiva, ou seja, há o ponto de vista dos mortos e dos vivos. Para os vivos é essencial a permanência do status quo enquanto os mortos, tomados pela indiferença, usam da crítica como arma para atingir seus objetivos. Na condição de mortos todos se igualam para fazerem os vivos refletirem sobre seus desvios morais. Sem esquecer dos pontos divertidos que trazem um pouco de leveza à realidade dura retratada no texto.

     Incidente em Antares é um documento importante de um recorte da história do nosso país. Com ele acompanhamos a evolução política até o golpe militar. O dedo de Cícero Branco apontando toda sujidade da política local se estende a outras esferas políticas, ultrapassando os limites da ficção. Assim, como o dedo de Barcelona aponta os detalhes de uma fotografia de toda a humanidade, essa imagem tem como personagens todas as características aviltantes da condição humana. Acompanhando todos esses personagens que habitam Antares não nos causam espanto as consequências do incidente, para melhor dizer, as não consequências do incidente. Pois com, apenas, boa comida e um pouco de bajulação foi passada uma borracha em tudo que aconteceu e por algum tempo restou apenas um desconforto, como a lembrança borrada de um pesadelo, que mesmo assim é esquecido com o passar do dia.

     A ousadia do autor e dos editores deve ser aplaudida, pois publicar um livro de profunda crítica política sob as barbas dos militares é muita coragem. O livro foi publicado no auge da ditadura militar sob uma conjuntura de censura e perseguição aos artistas, passou às cegas pelos censores, permanecendo até hoje como um expoente tanto de crítica social quanto de qualidade literária.

Erico Verissimo
Erico Verissimo

VERISSIMO, Erico. Incidente em Antares. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 

Gerativismo

O autor inicia o texto explicando que a linguística gerativa (gerativismo ou gramática gerativa) teve início com a publicação do livro Estruturas sintático de Noam Chomsky em 1957. Surge com a intenção de criticar o pensamento behaviorista da época. O behaviorismo dizia que a linguagem era um fenômeno social, um sistema de hábitos gerados como resposta a estímulos e fixado pela repetição. Chomsky escreveu uma resenha criticando as ideias de um linguista behaviorista chamada Skinner. Nesse texto Chomsky conclui que a língua é produto da criatividade do homem, pois ao contrário da imitação e repetição, criamos frases totalmente novas. Dessa forma, todos os falantes são criativos e a criatividade é o principal aspecto caracterizador do comportamento linguístico humano, é elemento diferenciador entre o homem e os outros primatas. O comportamento linguístico dos indivíduos é interior, resultado de um dispositivo inato, e deve ser fincado na biologia cérebro/mente (faculdade mental natural). Esse elemento biológico é o que constitui a capacidade linguística do indivíduo, elemento esse que chamamos de faculdade da linguagem.

     O gerativismo busca analisar a linguagem humana de uma forma matemática e abstrata (formal), que se afasta do empirismo da gramática tradicional, do estruturalismo e da sociolinguística. A linguística gerativista está mais próxima das ciências cognitivas, pois se aproxima da linha interdisciplinar dos estudos da mente humana.

     O modelo gerativista inicialmente ficou conhecido como gramática transformacional. Era constituída em uma descrição de como os elementos das sentenças eram formados e como eles se transformavam em outros por meio de aplicação de regras. Os gerativistas representavam as estruturas sintáticas por meio de diagrama arbóreo, em seguida criavam regras transformacionais, que transformavam uma estrutura existente em outra nova, derivando estruturas. Essa ideia de transformação como operação computacional (fenômeno sintático) que derivam sentenças é o ponto central da pesquisa gerativista até hoje.

     Outro foco dessa pesquisa é o conhecimento implícito, inconsciente e natural que todos temos sobre o uso da língua e não das regras da gramatica normativa. De outra forma posso dizer que é o conhecimento interno e tácito das regras que governam a formação das frases da língua, que chamamos de competência linguística. E manifestação da competência, ou seja, o uso concreto da língua que chamamos de desempenho linguístico. O gerativismo se ocupa, principalmente, da competência, pois se preocupa em elaborar uma teoria formal que explique o funcionamento abstrato da linguagem na mente humana.

     A partir da década de 1980 surge a gramática universal que é o conjunto de propriedades gramaticais comuns compartilhadas por todas as língua naturais, bem como as diferenças entre elas que são previsíveis segundo o leque de opções disponíveis na própria gramatica universal. Segundo essa gramática formulou-se a teoria de princípios e parâmetros, que é pensada a partir da sintaxe, que é onde se percebem as grandes semelhanças entre as línguas existentes no mundo. O estudo separado surge com a gramática modular que estuda os diversos componentes da gramática de forma independente como módulos autônomos. Os “princípios” são as propriedades gramaticais que são válidas para todas as línguas naturais e os “parâmetros” são as possibilidades (limitadas sempre de maneira binária) de variação entre as línguas. Por exemplo, a existência de sujeitos nas sentenças é um princípio da gramatica universal, enquanto, a possibilidade do sujeitos estar presente, oculto, indeterminado e etc. caracteriza um parâmetro.

     Em 2001, o geneticista participante do projeto genoma humano, Anthony Monaco desenvolveu a teoria sobre o gene FOXP2, que aparentemente está a certos distúrbios da fala. Apesar de ser contestado por outros geneticistas, essa teoria abriu a porta a uma discussão mais aprofundada no âmbito da linguística gerativa sobre a genética da linguagem humana. Consequentemente, a linguística gerativa será a corrente da ciência da linguagem que travará forte dialogo com as ciências naturais.

     O projeto da linguística gerativa é observar comparativamente as línguas humana em todas as peculiaridades (morfofonologicas, sintáticas, semânticas, etc.) , descrevendo os princípios e parâmetros pertencentes à competência linguística, para explicar a faculdade da linguagem humana, como parte da capacidade mental.

KENEDY, Eduardo. Gerativismo. In: Manual de linguística. Org. MARTELOTA, Mario. 2a ed. – São Paulo: Contexto, 2011.

Esquema: Texto e Textualidade. Costa Val

COSTA VAL

Texto e Textualidade

 

Texto – Ocorrência linguística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica ou formal.

ASPECTOS DO TEXTO

  • Semântico-conceitual – coerência;
  • Formal – coesão.
  • Pragmático (sociocomunicativo) – atuação informacional e comunicativa;
    • Intencionalidade;
    • Aceitabilidade;
    • Situacionalidade;
    • Informatividade;
    • Intertextualidade.

COERÊNCIA (nexo)

  • “Resulta da configuração que assumem os conceitos e relações subjacentes à superfície textual.”
  • “Um discurso é aceito como coerente quando apresenta uma configuração conceitual compatível com o conhecimento de mundo do recebedor.”
  • “Assim, a coerência do texto deriva de sua lógica interna, resultante dos significados que sua rede de conceitos e relações põe em jogo, mas também da sua compatibilidade entre essa rede conceitual – o mundo textual – e o conhecimento de mundo de quem processa o discurso.”

COESÃO (expressão do nexo não necessariamente explicita na superfície textual)

                “É a manifestação linguística da coerência; advém da maneira como os conceitos e relações subjacentes são expressos na superfície textual.”

  • Mecanismos gramaticais:
    • Pronomes anafóricos;
    • Os artigos;
    • A elipse;
    • A concordância;
    • A correlação entre os tempos verbais;
    • As conjunções.
  • Mecanismos lexicais:
    • Reiteração:
      • Repetição de um item;
      • Nominalização (substantivo cognato).
    • Substituição:
      • Sinonímia/Antonímia;
      • Hiponímia/Hiperonímia (quando o termo substitutivo representa uma parte/elemento e o substituidor representa o todo ou a classe e o contrário).
  • Associação (relaciona itens do vocabulário pertinentes ao mesmo esquema cognitivo).

 

 

Ecolinguísitica

Segue abaixo meu roteiro para o seminário sobre “Ecolinguística”.

A ecolinguística é uma disciplina jovem da linguística, apesar de seus princípios remontarem a Grécia antiga, ela vem sendo estudada com mais força a partir da década de 1970, inicialmente, com Einar Haugen que durante uma conferência trouxe um novo estudo ecológico das inter-relações entre as línguas ao nível da consciência individual e ao nível social em comunidades multilíngues.

Assim, surgiu o conceito da ecologia da língua que estuda as relações da língua e o meio ambiente. Existe nessa disciplina a preocupação de usar os princípios da ecologia para esse estudo. São sete princípios como o:

HOLISMO, onde se observa o todo pelas partes. Como exemplo de holismo, podemos notar que a beleza está na harmonia do todo, alguém tentou fazer uma montagem com partes de pessoas consideradas muito bonitas e o resultado foi um ser estranho, diria até monstruoso.

O seguinte princípio seria as INTER-RELAÇÕES das partes que existem para formar o todo que citei antes. Quero dizer que é devido à convivência entre pessoas ao longo do tempo e suas interações comunicativas que surge a língua como sistema.

O terceiro princípio é a ADAPTAÇÃO. Com o surgimento de novas necessidades comunicativas surgem novas palavras, ou mesmo, quando aprendemos uma nova língua.

O quarto princípio seria a EVOLUÇÃO. A língua não é estática, assim como o Português surgiu quando o Latim chegou a Lusitânia e evolui até a língua que falamos hoje.

O quinto princípio é a POROSIDADE, uma língua flui do território que é considerado, por exemplo, é difícil determinar com precisão até onde o Espanhol avança pelo Rio Grande do Sul.

O sexto princípio é a DIVERSIDADE, ou seja, a grande variedade de línguas no mundo, ou até mesmo as diferença de uma mesma língua em um determinado território.

E por fim, o sétimo princípio, VISÃO DE LONGO PRAZO, aqui vou utilizar um exemplo da ecologia, as usinas nucleares surgiram como uma energia limpa, barata e sem riscos, mas temos Chernobyl como exemplo que depois de algum tempo ela poderia ser bem perigosa.

Voltando a ecolinguística, vamos pensar nos itens citados no seu conceito, o estudo das relações entre a língua e o meio ambiente.

Língua é o modo como os membros da comunicam entre si, verbal ou gestualmente, e meio ambiente aqui vou considerar como TERRITÓRIO, que deve ser entendido como o ambiente em que uma sociedade usa a língua como código. Mas a ecologia não utiliza a expressão “meio ambiente” e no seu lugar usa o termo ecossistema. Que é o conjunto de indivíduos de determinado território e suas inter-relações tanto entre si quanto com o próprio território. Para o nosso estudo seriam as relações por meio da língua, ou seja, as interações comunicativas entre os membros dessa população.

Seguindo esse raciocínio, podemos perceber três ecossistemas, o NATURAL, o MENTAL, e o SOCIAL.

O MEIO AMBIENTE NATURAL DA LÍNGUA é formado pela população e o território juntos. Para o linguista alemão SAPIR, não existe relação direta entre a língua e o território, ou seja, a interação entre língua e território passa necessariamente pela população. Outro linguista, Salikoko Mufwene, da República do Congo e hoje é professor na Universidade de Chicago, diz que “A LÍNGUA É ESPÉCIE PARASITA DA POPULAÇÃO”. Uma outra forma de ver essa relação é o caso de Ernst Von Glasersfeld, filósofo alemão, a é relação POPULAÇÃO – LINGUA – TERRITORIO, onde “A LINGUA CRIA O MUNDO”, ou seja, só temos acesso a ele via linguagem. Mas sim, o território interfere na língua, como em comunidades isoladas onde a língua permanece homogênea e em comunidades linguísticas que se projetam pelo mundo, como o inglês, que variam em regiões diferentes do globo.

O segundo MEIO AMBIENTE DA LINGUA é o MENTAL a língua está localizada na mente (cérebro) por isso mesmo é de difícil acesso, por isso outras ciências que estudam a linguística também se ocupam desse tema, como a neurolinguística e psicolinguística. Utilizando técnicas modernas de exames de imagens é possível, hoje, verificar quais áreas do cérebro são responsáveis pelas palavras e suas interações lexicais, assim, a ciência sabe que quando ouvimos uma palavra não ativamos apenas a área dedicada a essa palavra especifica, mas outras que estão semanticamente associadas a ela. Essa conexão é tão complexa que tendemos a procurar sentido mesmo em frases claramente sem sentido nenhum.

O último é o MEIO AMBIENTE SOCIAL DA LÍNGUA. Dentre os três é o mais abordado. É a comunidade socialmente organizada usuária da uma língua. Esse ramo da ecolinguística é comumente confundido com a sociolinguística. Nesse ambiente é onde podemos abordar a análise critica do discurso e percebermos aspectos, peculiaridades da língua. Como por exemplo, com as sociedades patriarcais a língua se tornou ANDROCENTRICA, quero dizer com isso que a língua é recheada de aspectos machistas. Como, por exemplo, se nessa sala tivéssemos mil mulheres e apenas um homem diríamos os alunos, ou quando queremos enfatizar uma qualidade dizemos GRANDE PRA CARALHO. A língua é também ANTROPOCENTRICA, é focada no homem, ou nos seres humanos. Acreditamos que usamos a língua em favor da utilidade, mas colocamos o foco em nós mesmos e não naquilo que de fato é. Um exemplo disso é quando chamamos um gafanhoto de PRAGA, de fato ele é uma praga no nosso ponto de vista, mas a existência dele na natureza segue um proposito totalmente diverso. A língua é claramente ETNOCENTRICA, é recheada de racismo, por exemplo, dizemos que quando algo sai errado dizemos que A COISA ESTÁ PRETA. A língua também assume o caráter CLASSISTA quando faz distinção de pessoas usamos termos e expressões pejorativa para essa distinção. Dizemos que uma pessoa é CAIPIRA pelo sotaque, uma pequena parte da população é a ELITE e a outra é RALÉ, pois o PEIDO do POPULACHO não fede mais que os das PESSOAS CIVILIZADAS.

Para encerrar, surge a analise critica do discurso ambientalista. A ecolinguística também se preocupa em analisar como os falsos ambientalistas vendem seus produtos mascarando seu real propósito transformando em coisas boas. Como quando uma empresa lança um produto cuja matéria prima são “GRÃOS MELHORADOS”, diz que o objetivo é “FAZER O MELHOR, MAIS RÁPIDO, COM ECONOMIA” e que esse produto é “ALGO NOVO, DIFERENTE, MAIS EFICAZ E DE MAIOR VALOR PARA A SOCIEDADE”. Traz a sociedade um conceito benéfico, atrativo, que convence como evolução, no entanto o real objetivo é o LUCRO. A empresa citada diz que procura usar métodos ecologicamente corretos, mas na prática é uma ecologia rasa, que busca o mínimo custo onde o objetivo deveria ser a busca de métodos sustentáveis com previsão de longo prazo para o beneficio da natureza. Esse é apenas um exemplo de tantos que ocorrem como na agricultura, agropecuária e tantos ramos de negócios que interferem diretamente no equilíbrio ecológico do nosso planeta. Assim, ocorre a alteração do meio ambiente natural ao modificar os grãos com o objetivo minimizar custos; alteração no meio ambiente mental, quando engana a população com eufemismo e expressões que transmitem imagens diferentes da realidade e no meio ambiente social quando interfere em valores estruturais da sociedade.

RAMOS, Rui. Ecolinguística: um novo paradigma para a reflexão sobre o discurso? Braga: Campo das Letras, 2006.

COUTO, Hildo Honório do. Ecolinguística. In; Cadernos de linguagem e sociedade. Brasilia: Unb, 2009.

COUTO, Hildo Honório do. Ecolinguística, estudo das relações entre língua e meio ambiente. Brasília: Thesaurus, 2007.