Chuva


Chove em Fortaleza. Esse cheiro me lembra tantas coisas. Talvez, para quem more em um lugar onde chova sempre isso não seja nada demais, porém para quem habita esse nosso Ceará é sempre momento de alegria.

Não me incomoda molhar um pouco, tampouco a humidade que deixa tudo estranho.  O barulho da chuva tranquiliza a alma. O clima mais ameno melhora o ânimo. O como bem constatou meu professor, a preguiça deixa de ser um efeito colateral do calor e torna-se uma instituição legitimada. Sim, é bom ficar em casa sob os lençóis assistindo TV. Não nos julgue!

Hoje precisei vir trabalhar, a foto acima é do Campus do Pici, UFC, onde trabalho. Está tudo bem, é claro que eu preferia estar em casa aconchegado com o meu amor, mas a vida é assim. Houve menos trânsito e cheguei rápido. Acredito que quem pôde ficou em casa como eu gostaria de estar.

Quando eu era criança Fortaleza era uma cidade de temperatura mais amena, hoje estamos alcançando patamares de Teresina e por isso, também,  a chuva nos é tão cara. Claro que o interior necessita muito mais, mas a TV mostra que a chuva está bem distribuída no estado, graças a Deus!!!

Enfim, a chuva trouxe também essa vontade de escrever. Ainda estou esperando alguém chegar para abrir a porta e começar meu dia de trabalho. Assim, graças a Deus, agradecendo pela tecnologia, deixo o meu “Bom Dia” a essa comunidade linda que eu aprendi a incorporar na minha rotina e amar manter esse papo diário com esses caros e sábios amigos que eu não conheço.

Abraços!!!

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À Sombra da Vida

À Sombra da Vida

Animado pelos sentimentos de ler a Montanha Brokeback decidi escrever uma história sobre homofobia também. Tá não sou a Annie Proulx, apenas brinco de escrever, pois estou longe de ser um escritor, porém imaginei uma história que começou como um conto e está crescendo. Não creio que chegara ao tamanho de um romance, mas que seja lá uma novela. Estou escrevendo intuitivamente sem grandes pretensões.

Se vocês tiverem curiosidade de ler um texto simples de alguém que sonha um dia ser escritor sintam-se a vontade para acompanhar Antônio em sua saga em busca da liberdade.

https://www.wattpad.com/story/57704186-à-sombra-da-vida

Por favor comentem lá ou aqui, mas o feedback, mesmo que negativo será de grande ajuda. Lembrem-se que é apenas um exercício, mas está divertido criar essa história. Relutei muito em postar por insegurança mesmo, mas o que é a vida sem um pouco de ousadia?

O Homem que Sumiu

Aquela era uma manha cinzenta. O cheiro da terra molhada pela chuva se fazia presente. Num mês de férias, não lembro se no começo, meio ou final de ano, mas com certeza era um mês de férias. Minha avó Rosinha, que morava com uma filha e seu marido e Alessandra, neta como eu, porém criada como filha. Alessandra sempre foi uma prima divertida. O riso era livre enquanto estávamos juntos, assim como naquela manhã cinzenta.

A casa  da minha tia não era distante da minha. A companhia da minha avô era muito importante para mim, assim como normalmente é para a maioria dos netos. Estávamos lá durante aquelas férias, muitos primos se reuniam ali. Ríamos na área da frente. Falávamos bobagens e coisas sérias, tão sérias quanto podem ser entre adolescentes. Minhas primas sempre foram muito divertidas e, digo novamente, o riso corria solto quando nos reuníamos.

Era comum transitar a pé naquele bairro. Todos nós, juntos, rindo ou discutindo fatos sérios. Começávamos a crescer e os interesses a mudar, porém sempre com aquela alegria infantil que teimava em não partir. Estou fugindo dos fatos que desejo narrar aqui.

Naquela manhã cinzenta, após uma noite de chuva, o asfalto ainda estava molhado. Alessandra e eu decidimos visitar Dôra, esposa de um outro primo nosso, Paulinho. É difícil precisar a hora que saímos da casa da Rosinha, mas devia ser por volta das nove da manhã. Alessandra ia “mangando” das pessoas que passavam por nós. Ela sempre vinha com uma tirada espirituosa e eu adorava isso nela. Eu ria até minhas bochechas doerem. Não era diferente naquela manhã. As lágrimas me obrigavam limpar os olhos o tempo todo. Dôra também era divertida. Sorrio aqui, sozinho, lembrando dessas duas pessoas tão queridas. E cá estou eu fugindo do assunto novamente, que belo saudosista estou me saindo.

Enfim, já estavamos na rua onde ficava a casa do meu primo. Sempre rindo passamos pelas lojas, depois pelas casas. Alessandra percebeu um homem bêbado caminhando em nossa direção, nos calamos. Fomos tomados por uma sensação estranha. Uma apreensão. Na verdade ele não vinha em nossa direção, ele apenas seguia na rua, enquanto íamos ele voltava. Apenas isso. Era impossível não sentir aquela sensação esquisita. A tagarela Alessandra calou-se. E mudos caminhamos.

O homem não tinha nada de anormal. Estava descalço, uma bermuda escura e uma camiseta esfarrapada. Ele estava cada vez mais perto, senti minha prima me olhar de canto de olho, nervosa, e eu também. A cada passo mais aumentava o aperto no peito. Eu pensava que ia ser assaltado, mas o que ele ia roubar? Eu não levava nada comigo e pelo que me lembro nem ela.  Ela pegou a minha mão buscando um pouco de segurança. Eu me ergui, tentando aparentar coragem. Ele cruzou nosso caminho.

– Bom dia!

Ele falou. Vi nos olhos da Alessandra que ela ia cair na gargalhada assim como eu. Nos olhamos por uma fração de segundo e nos viramos para ver o simples bêbado que cruzara o nosso caminho.

Onde estava? Paramos e olhamos em todas as direções possíveis. Ele havia sumido. Agora sim, estávamos apavorados. Ela com os olhos arregalados e eu com as pernas tremendo. “Corre!” ela disse. E corremos feito loucos até chegar completamente sem ar na casa da Dôra que riu muito da nossa cara assustada.

Ninguém acredita mas isso realmente aconteceu. Toda as vezes que reencontro minha prima falamos sobre isso. É uma história meio louca mas é a mais pura verdade. Não sei porque quis falar sobre isso, mas é uma história legal. Ah! A adolescência… quantas lembranças.

Do que você sente saudade?

Hoje surpreendi-me sentindo saudades de coisas pequenas.  Senti falta do sol durante a natação no SESI. Do medo que eu sentia ao final do treino de ter que compartilhar o vestiário com os outros atletas e ter meu orgulho masculino ferido pelas inevitáveis comparações. Até disso sinto um pouco de saudade. Me fazem falta as quintas-feiras e suas sessões baratas nos cinemas do centro. Fugir da aula do cursinho para bater papo no barzinho ali perto. Jogar conversa fora sem as preocupações com as contas a pagar. Caminhar por Fortaleza sem sentir medo da violência de atual.

A década de 1990 me assaltou a alma com tantos problemas, porém algumas bobagens foram tão agradáveis. Hoje como um homem de trinta seis anos todas aquelas fugas parecem banais… Será que eram mesmo?

Aqueles anos proporcionaram tantas descobertas, algumas bem dolorosas e outras bem alegres. Sinto falta daquele rapaz sem máculas que via o mundo por lentes cinzas as vezes. Eu era um jovem muito quieto, passava muito tempo na companhia dos fantasmas e vampiros de Anne Rice, da sacerdotisa Morgana e seu irmão Arthur de Mariom Zimmer Bradley e tantos outros formados apenas como decodificação de milhões de palavras. Essa forma de solidão acompanhada doía muito e foi trocada pelas amizades da fase do cursinho.

Eis que chegou 1997 e as muitas festas, afinal eu faria 18 anos e o mundo se descortinava. Eu sabia, então, quem eu realmente era. A sexualidade já não era mais um mistério, mas nesse momento a liberdade lhe conferia uma máscara totalmente nova. Eu ainda era um rapaz recatado, muitos tabus ainda não deixavam experimentar tudo o que eu desejava, mas o mundo era meu parquinho. Ia para o cursinho, como era chato aquilo, e logo conheci algumas pessoas. Então esse novo grupo fazia do centro da cidade uma festa. Todo o pouco dinheiro que conseguíamos era usado para usufruir daquilo que a noite oferecia. Muitos medos se foram naqueles dias, alguns tabus persistiam, nada de grave.

Naquele ano aprendi a me movimentar pelos grupos que surgiam, as muitas máscara que usamos para socializar começavam a fazer parte de fato da minha vida de quase adulto. Então, aprendi que podia experimentar coisas antes proibidas pela criação que tive e os últimos três anos dessa década foram, de certa forma, libertadores. Fiz muitas coisas que jovens nessa idade fazem. Bebi muito, fumei muito, “fiquei” muito, beijei muitos, transei com alguns. Esse tabu ainda persistia.

Mas o que mais me faz falta hoje é esse sentimento. De poder tudo. Hoje, apesar dos problemas de ordem prática, sou feliz. Curso uma faculdade que eu gosto, estou num relacionamento maravilhoso e sinto-me mais seguro como ser humano. No entanto, aquela sensação de desbravar o mundo, de pisar em terreno desconhecido, o frio na barriga de saber que tudo é novo e bonito, não ter medo de errar, que cada experiência da vida é nova… Ah como isso tudo era bonito.

Os Hábitos Diários dos Artistas

Os Hábitos Diários dos Artistas

Embora poucos de nós goste de ouvir isso, para ter sucesso em qualquer empreitada é necessário paciência, treino constante e rotina diária. Para tomar um simples e bem merecido exemplo, não é por nada que Stephen R. Coveys, autor de best-sellers sobre negócios e auto-ajuda, oferece-nos “7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes”, em vez de “7 Descobertas Súbitas que Mudarão sua Vida para Sempre” – embora se creditarmos aos e-mails, propagandas e links patrocinados a bagunça das nossas vidas on-line, podemos terminar acreditando em soluções rápidas e estradas fáceis para a fama e a fortuna. Mas não, uma habilidade bem desenvolvida surge apenas com o conjunto de rotinas praticadas.

Dito isso, o tipo de rotina que se escolhe depende de muitas circunstâncias pessoais, dessa forma um hábito de uma pessoa criativa não necessita parecer exatamente com os de outras pessoas. Quando falamos sobre a vida dos escritores, esperamos fatos comuns entre eles: um lugar onde se possa escrever livre de distrações, algum método preferido de transcrever o texto do cérebro para o papel, alguma hora do dia em que o fluxo do pensamento funcione melhor. Fora desses parâmetros básicos, a vida diária dos escritores pode parecer tão diferente quanto as imagens em suas cabeças.

Porém parece que uma vez que um escritor se acostuma com um conjunto de hábitos – quaisquer que sejam – eles se prendem a essas rotinas com um rigor particular. A rotina de escrever, diz o hiper prolífico Stephen King, “não é diferente da rotina de deitar para dormir. Você vai para a cama de forma diferente a cada noite? ” Aparentemente não. Quanto ao porquê termos nossas muitas manias, para a hora de deitar, ou para a hora de escrever, King responde honestamente, “eu não sei”.

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Stephen King

Então como é a rotina de King? “Existem certas coisas que eu faço quando sento para escrever”, ele cita nas palavras de Lisa Rogak em “Haunted Heart: The life and Times of Stephen King”:

 “Eu tomo um copo de água ou uma xícara de chá. Existe mais ou menos uma hora que eu sento, entre 8:00 e 8:30, em algum momento nessa meia hora toda manhã”, ele explica. “Tomo minha pílula de vitamina e coloco uma música, sento na mesma cadeira e os papeis arrumados nos mesmo lugares. O propósito cumulativo de fazer as coisas da mesma maneira todo os dias parece uma forma de dizer à mente, você estará sonhando em breve. ”

A citação de King vem até nós através do site (e agora livro) “Daily Routines”, que apresenta breves resumos de “como escritores, artistas e outras pessoas interessantes organizam seus dias”. A seção sobre escritores do site da mesma forma oferece uma janela para dentro das práticas diárias de uma ampla variedade de autores, desde os vivos aos mortos há muito tempo.

Um contemporâneo de King, embora mais lento, um escritor diligente mais autoconsciente, Haruki Murakami incorpora em seu dia de trabalho sua paixão por corridas, algo que ele tornou central em sua filosofia de trabalho. Assim, Murakami mantém uma programação atlética de escrita e rotina.

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Haruki Murakami

Quando estou em modo de escrita para um romance acordo às 4:00 da manhã e trabalho por cinco ou seis horas. À tarde, corro por 10Km ou nado por 1500m (ou ambos), então eu leio um pouco e escuto um pouco de música. Deito-me às nove da noite. Mantenho essa rotina todos os dias sem variação. A repetição por si torna isso algo importante; é um a forma de hipnose. Eu me hipnotizo para alcançar um estado mental mais profundo. No entanto manter essa repetição por muito tem1po, de seis meses a um ano, requer uma boa quantidade de força mental e física. Dessa forma, escrever um romance longo é como um treinamento de sobrevivência. A força física é tão necessária quanto a sensibilidade artística.

Nem todos escritores conseguem aderir a tal modo disciplinado de vida e trabalho, particularmente àqueles autores cujas horas em que estão despertos são, no geral dolorosamente, compartilhadas com empregos.

Um caso quase arquetípico de escritor preso em tal situação, Franz Kafka manteve a rotina que debilitaria a maioria das pessoas e  que não trouxe a força física, para dizer o mínimo. Como Zadie Smith escreve sobre o retrato do autor na biografia de Louis Begley, Kafka “desesperava no seu turno de doze horas que sobrava tempo para a escrita. ”

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Franz Kafka

Dois anos depois, promovido à posição de chefe de escritório no Workers’ Accident Insurance Institute, ele estava agora no sistema de um turno, 8:30 às 14:30. E então? Almoço até 15:30, então dormia até 19:30, então exercícios, então jantar com a família. Depois que ele começou a trabalhar por volta das 23:00 (como Begley cita, a carta – e diário – escrito tomava pelo menos uma hora por dia, e mais normalmente duas), e então “dependendo da minha força, desejo, e sorte, até uma, duas, ou três horas, uma vez até às seis da manhã”. Então “cada esforço imaginário para ir dormir, ” com ele totalmente descansado para ir trabalhar no escritório mais uma vez. Essa rotina fez com que ele estivesse permanentemente a beira do colapso.

Poderia ele ter escolhido uma maneira mais saudável? Quando sua noiva Felice Bauer sugeria isso,  ele respondia, “Essa é a única possível; se eu não posso suportá-la, tanto pior; mas suportarei de alguma forma.” Assim o fez, até próximo a sua morte por tuberculose.

Enquanto a rotina dos escritores, em nenhum lugar está escrito que seus hábitos são saudáveis ou comedidos. De acordo com Simone de Beauvoir, o exageradamente francês, escritor Jean Genet “sentava-se doze horas por dia durante seis meses quando estava trabalhando em algo e quando tinha terminado deixava passar seis meses sem fazer nada. ” Então existem aqueles escritores que têm se apoiado práticas pontualmente insalubres, mas mesmo assim fez uma pessoa tão aparente conservadora como W. H. Auden, que “engoliu benzedrine toda manhã por vinte anos… equilibrando seus efeitos com o barbitúrico Seconal quan ele queria dormir. ” Auden chamava o habito da anfetamina de “dispositivo para salvar o trabalho” na “cozinha mental, ”  embora e adicionava que “esses mecanismos são muito cruéis, suscetível de ferir o cozinheiro e de constante avaria.”

Então, eis aí, diversos modelos de rotinas e hábitos nas vidas de escritores de sucesso. Embora você possa tentar copiá-los se você tem ambições literárias, provavelmente é melhor você descobrir os seus próprios métodos, adequados às suas particularidades ou suas tolerâncias – ou não – para exercícios físicos sérios ou substâncias que alteram o estado da mente.

Esse texto é uma tradução livre do fonte abaixo:

http://www.openculture.com/