Decisões…

Decisões…

Desde o post sobre o Versatile Blogger Awards fiquei cheio de auto cobranças. Sou estudante de Letras e escrevo pouco. As vezes as idéias vêm e não sei como começar, se começo não sei como terminar então decidi juntar um arsenal e começar a pensar sobre isso de forma mais profunda, fiz uma busca pela rede e encontrei alguns livros e textos e vou estudá-los com calma. O primeiro estou lendo há alguns dias e os seguintes comecei ontem:

On Writting - Stephen King
On Writting – Stephen King
A PERSONAGEM DE FICÇAO - Antonio Candido e outros.
A PERSONAGEM DE FICÇÃO – Antonio Cândido e outros.
A Jornada do Escritor. Christofer Vloger
A Jornada do Escritor -Christofer Vloger

Sim, como eu já disse, leio varias coisas ao mesmo tempo e junto a esses estou lendo lentamente “Clarice,” de Benjamin Moser.

Mas voltando aos estudos. Me comprometo a tentar publicar textos sempre as segundas, quartas e sextas. Não vou estipular o gênero ou tópico, virá naturalmente.

Sobre as escolhas desses livros:

On Writting – Como fã de Stephen King sempre tive curiosidade sobre a rotina de escrita, processo criativo e particularidades de sua vida. Comprei faz algum tempo mas só agora pude lê-lo como se deve.

A Personagem de Ficção – Esse livro me chamou atenção por causa do primeiro autor, Antonio Cândido. Durante a cadeira de Teoria da Literatura usamos alguns textos dele e gosto da visão que ele transmite em seus textos. No entanto li algumas resenhas e achei muito interessante.

A Jornada do Escritor – É sempre bom ler o que faz sucesso. Esse livro é tido como o manual da Disney. Então vamos lá. Quem acompanha o blog deve ter visto o vídeo que compartilhei ontem a noite e lá é mostrado um resumos super eficaz.

É isso por hoje, vou postando conforme as leituras forem avançando.

Abraços a todos.

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Resenha: Incidente em Antares

Resenha: Incidente em Antares

Incidente em Antares

     Erico Verissimo nos traz esse romance que, dividido em duas partes, nos conta a saga dos habitantes da cidade fictícia de Antares. Na primeira parte, chamada Antares, temos a história da cidade, desde quando era apenas um povoado na região de fronteira do Rio Grande do Sul chamado Povinho da Caveira, dominado sob a mão de ferro de Francisco Vacariano. Após alguns anos o povoado é elevado a Vila e assume definitivamente o nome de Antares, que Chico Vacariano teimava em explicar como “lugar das antas”. Não muito depois chega à cidade Anacleto Campolargo e foi estabelecida a sanguinolenta inimizade entre os dois clãs. “(…) foi ódio à primeira vista”. Como uma herança genética, a inimizade passou para os descendentes de ambas as famílias que se digladiavam por motivos políticos, comerciais e até no futebol, os ódios e as vinganças cresciam em requintes de crueldade.

     O século virou e Antares começa a se modernizar com o telégrafo, o jornal, o frigorífico, o automóvel e etc., vamos acompanhando a modernização de Antares e as relações políticas se tornando mais complexas e de maior alcance. Então, a pedido do ainda deputado Getúlio Vargas, Xisto Vacariano e Benjamim Campolargo, apertam as mãos sem se olharem cara a cara, selando assim uma paz dolorida, após sessenta anos sem trocarem uma palavra. Com a ascensão de Vargas à Presidência da República, Tibério Vacariano, herdeiro de Xisto, vai ao Rio de Janeiro e a partir daí acompanhamos todos os seus trambiques e negociatas, conseguidas usando o nome do atual chefe de governo, e também acompanhamos a situação política do Brasil. Do lado dos Campolargo é Quitéria, nora de Benjamim, quem assume o clã. E as duas famílias seguem com sua amizade ácida. As condições políticas em Antares vão se deteriorando até que a classe operária decide entrar em greve.

Os mortos deixam seus caixões.
Os mortos deixam seus caixões.

     A segunda parte, O Incidente, começa no dia 11 de dezembro de 1963, com o início da greve geral, que, para o espanto das famílias conservadoras, todas as categorias de trabalhadoras aderiram à greve. Nesse dia sete pessoas morrem em Antares, quase uma calamidade para um município daquele porte. Entre os defuntos de Antares estava Da. Quitéria Campolargo, vítima de um ataque cardíaco, e ao chegar ao cemitério para o sepultamento de Da. Quita descobre-se que os coveiros também aderiram à greve geral. Assim, os sete caixões são deixados na porta do cemitério aguardando o fim da greve. No meio da noite um ladrão, ele ouvira dizer que a matriarca dos Campolargo estaria portando joias de grande valor, decide abrir o esquife a procura do tesouro e foi pego de surpresa quando a defunta de olhos abertos lhe entrega a alma tomando o gatuno por Deus. Após a surpresa inicial dos insepultos, eles descobrem que cada um representava um tipo de habitante de Antares: Uma representante de uma das duas grandes famílias, um advogado vendido, um anarquista, um louco, um comunista, um bêbado e uma prostituta. Decidem voltar à cidade e reclamar o seu direito a um sepultamento digno. Quando amanhece a cidade é tomada pelo odor pútrido dos cadáveres. Eles, após visitarem seus afetos e desafetos, se reúnem no coreto da praça. Ali os defuntos expõem todas as torpezas dos cidadãos. A podridão está em toda parte, tanto dos corpos em decomposição dos cadáveres quanto tanto das vísceras expostas da sociedade antarense. Cornos, esposas desonestas, pederastas, ladrões, fofoqueiras, políticos corruptos, peculatos e todo tipo de sordidez é desmascarada já que os mortos não estão mais a mercê das punições dos homens.

     Nuvens de urubus e milhares de ratos tomam a cidade, os habitantes se revoltam e resolvem atacar os defuntos que decidem voltar aos caixões e então os grevistas permitem os sepultamentos, então aos poucos a cidade retoma a sua rotina e tudo é esquecido e sequer vira lenda, de uma forma tal que todas as transgressões foram remidas.

     Erico Verissimo faz parte da segunda geração do modernismo, também chamado de neorrealismo, baseado no regionalismo, denúncia social, enfoque nos fatos como espécie de documentário e linguagem mais brasileira. Conhecido pela grande obra O Tempo e o Vento, de dimensões proustianas, o autor narra em sua obra tanto a vida urbana nas grandes metrópoles quanto a história e os costumes do Rio Grande do Sul. Incidente em Antares é sua última obra, Verissimo faleceu em 1975 e nos deixou seu legado dividido em romances, contos e livros infantis.

     Incidente em Antares é um romance com dupla característica, a primeira é o caráter de romance histórico tradicional da primeira parte e o segundo é o romance de realismo mágico. Na primeira parte acompanhamos o desenvolvimento social do Rio Grande demonstrado no microcosmos da cidade de Antares. Fatos verídicos servem de pano de fundo para a obra ficcional. A segunda parte, com característica de realismo fantástico e é de forma inusitada que o realismo fantástico se apresenta. Após cerca de 90 capítulos somos arrebatados pelo incidente, os olhos abertos de Da. Quinta Campolargo iniciam a saga dos defuntos deambulantes. Todo o inusitado é substituído pela sátira menipeia, onde os mortos apontam os defeitos dos vivos. Ao morrerem aqueles personagens veem a vida por uma nova perspectiva, ou seja, há o ponto de vista dos mortos e dos vivos. Para os vivos é essencial a permanência do status quo enquanto os mortos, tomados pela indiferença, usam da crítica como arma para atingir seus objetivos. Na condição de mortos todos se igualam para fazerem os vivos refletirem sobre seus desvios morais. Sem esquecer dos pontos divertidos que trazem um pouco de leveza à realidade dura retratada no texto.

     Incidente em Antares é um documento importante de um recorte da história do nosso país. Com ele acompanhamos a evolução política até o golpe militar. O dedo de Cícero Branco apontando toda sujidade da política local se estende a outras esferas políticas, ultrapassando os limites da ficção. Assim, como o dedo de Barcelona aponta os detalhes de uma fotografia de toda a humanidade, essa imagem tem como personagens todas as características aviltantes da condição humana. Acompanhando todos esses personagens que habitam Antares não nos causam espanto as consequências do incidente, para melhor dizer, as não consequências do incidente. Pois com, apenas, boa comida e um pouco de bajulação foi passada uma borracha em tudo que aconteceu e por algum tempo restou apenas um desconforto, como a lembrança borrada de um pesadelo, que mesmo assim é esquecido com o passar do dia.

     A ousadia do autor e dos editores deve ser aplaudida, pois publicar um livro de profunda crítica política sob as barbas dos militares é muita coragem. O livro foi publicado no auge da ditadura militar sob uma conjuntura de censura e perseguição aos artistas, passou às cegas pelos censores, permanecendo até hoje como um expoente tanto de crítica social quanto de qualidade literária.

Erico Verissimo
Erico Verissimo

VERISSIMO, Erico. Incidente em Antares. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 

OS DIREITOS IMPRESCRITÍVEIS DO LEITOR, POR DANIEL PENACK

1 O direito de não ler;
2 O direito de pular páginas;
3 O direito de não terminar um livro;
4 O direito de reler;
5 O direito de ler qualquer coisa;
6 O direito de bovarismo (doença textualmente transmissível)
7 O direito de ler em qualquer lugar;
8 O direito de ler uma frase aqui outra ali;
9 O direito de ler em voz alta e
10 O direito de calar.

221 Dicas Sobre Livros

Abaixo, algumas das listas de dicas para aprimoramento do seu prazer de ler e escrever que publiquei ou linkei aqui no Livros e Afins desde a inauguração do blog.

Você vai notar que dois ou três destes links levam a artigos de outros blogs. Para chegar à conclusão de que eram 221 dicas, somei a quantidade de dicas de cada post, o que torna o número 221 qualitativamente errado, mas quantitativamente correto.

  1. 10 dicas dos mestres para escrever melhor
  2. Como aprendi a gostar de ler com 11 atitudes simples de meus pais
  3. 9 dicas para ler todos os livros do vestibular em 30 minutos diários ou menos
  4. 21 dicas para conservar seus livros
  5. 10 dicas para você ler mais livros por ano
  6. Ler como objetivo e 5 dicas para que isso não seja uma obrigação
  7. 10 motivos para ler livros clássicos
  8. 10 motivos para ler livros atuais
  9. 12 dicas para aprimorar seu hábito de leitura
  10. 6 questões para saber se você deve guardar ou não um livro
  11. 8 métodos para ler um livro com mais eficiência
  12. 14 razões para você publicar sua obra na internet e não em um livro
  13. 15 exercícios para escrever melhor
  14. 8 exercícios divertidos para escrever melhor usando o seu livro favorito
  15. 9 modos simples de evitar erros de português e nunca mais passar vergonha
  16. 5 métodos infalíveis para que você nunca mais esqueça suas idéias
  17. 7 conselhos de Gabriel Garcia Márquez para escrever melhor
  18. A regra de ouro para o empréstimo de livros
  19. 13 sites de livros grátis
  20. 16 idéias criativas para guardar seus livros e… 1 pesadelo de qualquer bibliotecário
  21. 31 links para quem trabalha com palavras

fonte: http://livroseafins.com/19-listas-de-dicas-para-aprimorar-a-leitura-e-a-escrita/