À Sombra da Vida

À Sombra da Vida

Animado pelos sentimentos de ler a Montanha Brokeback decidi escrever uma história sobre homofobia também. Tá não sou a Annie Proulx, apenas brinco de escrever, pois estou longe de ser um escritor, porém imaginei uma história que começou como um conto e está crescendo. Não creio que chegara ao tamanho de um romance, mas que seja lá uma novela. Estou escrevendo intuitivamente sem grandes pretensões.

Se vocês tiverem curiosidade de ler um texto simples de alguém que sonha um dia ser escritor sintam-se a vontade para acompanhar Antônio em sua saga em busca da liberdade.

https://www.wattpad.com/story/57704186-à-sombra-da-vida

Por favor comentem lá ou aqui, mas o feedback, mesmo que negativo será de grande ajuda. Lembrem-se que é apenas um exercício, mas está divertido criar essa história. Relutei muito em postar por insegurança mesmo, mas o que é a vida sem um pouco de ousadia?

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O Homem que Sumiu

Aquela era uma manha cinzenta. O cheiro da terra molhada pela chuva se fazia presente. Num mês de férias, não lembro se no começo, meio ou final de ano, mas com certeza era um mês de férias. Minha avó Rosinha, que morava com uma filha e seu marido e Alessandra, neta como eu, porém criada como filha. Alessandra sempre foi uma prima divertida. O riso era livre enquanto estávamos juntos, assim como naquela manhã cinzenta.

A casa  da minha tia não era distante da minha. A companhia da minha avô era muito importante para mim, assim como normalmente é para a maioria dos netos. Estávamos lá durante aquelas férias, muitos primos se reuniam ali. Ríamos na área da frente. Falávamos bobagens e coisas sérias, tão sérias quanto podem ser entre adolescentes. Minhas primas sempre foram muito divertidas e, digo novamente, o riso corria solto quando nos reuníamos.

Era comum transitar a pé naquele bairro. Todos nós, juntos, rindo ou discutindo fatos sérios. Começávamos a crescer e os interesses a mudar, porém sempre com aquela alegria infantil que teimava em não partir. Estou fugindo dos fatos que desejo narrar aqui.

Naquela manhã cinzenta, após uma noite de chuva, o asfalto ainda estava molhado. Alessandra e eu decidimos visitar Dôra, esposa de um outro primo nosso, Paulinho. É difícil precisar a hora que saímos da casa da Rosinha, mas devia ser por volta das nove da manhã. Alessandra ia “mangando” das pessoas que passavam por nós. Ela sempre vinha com uma tirada espirituosa e eu adorava isso nela. Eu ria até minhas bochechas doerem. Não era diferente naquela manhã. As lágrimas me obrigavam limpar os olhos o tempo todo. Dôra também era divertida. Sorrio aqui, sozinho, lembrando dessas duas pessoas tão queridas. E cá estou eu fugindo do assunto novamente, que belo saudosista estou me saindo.

Enfim, já estavamos na rua onde ficava a casa do meu primo. Sempre rindo passamos pelas lojas, depois pelas casas. Alessandra percebeu um homem bêbado caminhando em nossa direção, nos calamos. Fomos tomados por uma sensação estranha. Uma apreensão. Na verdade ele não vinha em nossa direção, ele apenas seguia na rua, enquanto íamos ele voltava. Apenas isso. Era impossível não sentir aquela sensação esquisita. A tagarela Alessandra calou-se. E mudos caminhamos.

O homem não tinha nada de anormal. Estava descalço, uma bermuda escura e uma camiseta esfarrapada. Ele estava cada vez mais perto, senti minha prima me olhar de canto de olho, nervosa, e eu também. A cada passo mais aumentava o aperto no peito. Eu pensava que ia ser assaltado, mas o que ele ia roubar? Eu não levava nada comigo e pelo que me lembro nem ela.  Ela pegou a minha mão buscando um pouco de segurança. Eu me ergui, tentando aparentar coragem. Ele cruzou nosso caminho.

– Bom dia!

Ele falou. Vi nos olhos da Alessandra que ela ia cair na gargalhada assim como eu. Nos olhamos por uma fração de segundo e nos viramos para ver o simples bêbado que cruzara o nosso caminho.

Onde estava? Paramos e olhamos em todas as direções possíveis. Ele havia sumido. Agora sim, estávamos apavorados. Ela com os olhos arregalados e eu com as pernas tremendo. “Corre!” ela disse. E corremos feito loucos até chegar completamente sem ar na casa da Dôra que riu muito da nossa cara assustada.

Ninguém acredita mas isso realmente aconteceu. Toda as vezes que reencontro minha prima falamos sobre isso. É uma história meio louca mas é a mais pura verdade. Não sei porque quis falar sobre isso, mas é uma história legal. Ah! A adolescência… quantas lembranças.

Annie Proulx

Annie Proulx

Sim, eu já assisti ao filme Brokeback Mountain, porém ler o texto que deu origem ao filme foi uma experiência totalmente diferente. Desde aquele dia no cinema o desejo de ler aquele conto instalou-se em mim, mas apenas alguns depois anos pude enfim concretizá-lo.

A história é totalmente narrada pelo lado de Ennis Del Mar. Um cara que luta pelo sustento sem muito afinco. Vive predominantemente de bicos e um dia aceita o trabalho de pastoreio de ovelhas. Ele é apresentado a Jack Twist, que, segundo a rotina imposta, veria muito pouco nas semanas que estavam por vir. Enfim, chegam ao vale no pé da montanha que dá título à história e lá descobrem um tipo de amor rústico e masculino, e esse sentimento sobreviveria suas vidas inteiras.

A narrativa é direta e as descrições dos diversos ambientes naturais no mostram exatamente os cenários que testemunharam a intimidade desses dois homens. Até que em um determinado dia a solidão e a carência falaram mais alto. Ennis, totalmente inexperiente nesse assunto, deixa-se levar pelo gesto de Jack. Assim, nascia uma história de amor impossível para a sua época e ambiente. Os dois seguem suas vidas, casam-se e com isso vem a distância. A realidade segue impondo os seus limites, então eles mantém seus papeis de masculinidade perante a sociedade, mas encontrando-se de tempos em tempos com a desculpa de pescar sem nunca trazer um peixe sequer.

Estou repetindo, eu sei, mas gostei tanto da história que é impossível não repetir. Então me vem a pergunta? Quem escreveu a história? Quem é Annie Proulx?

annie proulxAnnie Proulx é uma escritora norte americana, casada e divorciada duas vezes, tem dois filhos e é ganhadora de um prêmio Pullitzer. Sua escrita é crua e direta. Seus personagens são de uma realidade desconcertante. Começou escrevendo livros tipo “como fazer” e coisas assim, até dar início a sua produção de contos no começo dos anos 1980. Suas histórias narravam a vida das pessoas e como elas lutavam para superar seus próprios obstáculos.

Dentre o muito pouco que encontrei na internet sobre a escritora, ficou patente a necessidade de falar sobre questões sociais. Mesmo sobe o disfarce de histórias simples.  Até que cheguei a um texto no Time cujo título é “Por que Annie Proulx se arrepende de Brokeback Mountain.” Como assim, ela está arrependida? Mas eis que, com a minha pobre capacidade de tradutor, entendi os fatos e até concordo com ela.

Mas o problema surgiu com o filme. Tantas pessoas entenderam a história completamente errado. E acho importante deixar espaços em branco para os leitores preencherem com suas próprias experiências, mas infortunadamente a audiência que “Brokeback” atingiu mais fortemente é aquela com fantasias vívidas. E uma das razões porque deixamos os portões fechados é que muitos homens decidiram que a história deveria ter um final feliz. Eles não suportam o modo como ela termina – eles não aguentam. Então eles reescrevem a história incluindo todo tipo de namorados, novos amantes e por aí adiante após Jack ser morto. Isso me enlouquece. Eles não entendem que a história não é sobre Jack e Ennis. É sobre homofobia; é sobre uma situação social; é sobre um lugar e uma mentalidade pré-formatada e moralidade. Eles simplesmente não entendem. Eu não posso dizer quantas dessas coisas foram enviadas para mim, assim como eles esperavam que eu respondesse, “se eu tivesse a ideia de escrever assim”. E eles todos começam da mesma forma – Eu não sou gay, mas…  Isso significa que eles são homens e entendem muito melhor que eu como essas pessoas devia se comportar. Mas essa não é história que eu escrevi. E esses não são os personagens daquela história. Os personagens pertencem a mim por lei.

Para mim sempre ficou claro que o foco da história era a homofobia, até porque a história que Ennis conta a Jack sobre os dois fazendeiros que foram mortos de forma brutal deixa isso muito claro. Todos nós sempre torcemos por um happy ending, porém é algo que não cabe no conto. Não cabe mesmo!!! Eles lutaram a história inteira para ficarem juntos e apesar de alguns momentos tristes ele conseguiram seus momentos de paz.

Olhando para um texto assim, repleto de dicotomias, onde ficamos oscilando entre o bruto e o delicado, a força e a fraqueza, o sonho e a realidade, vejo a genialidade da escritora. Ela consegue nos transportar àquele mundo repleto de convenções e mesmo assim apresentar uma história de amor que dura, apesar de todos os problemas.

Amigos, que final é aquele? Não vou ser o cara dos spoilers então procurem o texto e o leiam. Pois nunca antes um cabide, um cartão postal e uma lata de feijão com duas colheres sujas tiveram tanto significado.

O filme é bom, mas o texto é excepcional! Quando eu crescer quero escrever como Annie Proulx. 

Quando não se sabe o que dizer…

Quando não se sabe o que dizer…

Claro que isso é muito comum. Conhecer alguém e não conseguir estabelecer um diálogo. Quando a timidez supera a vontade de conversar e tudo aquilo de interessante que existe em você fica guardado nos porões da sua mente. A sua pele é um castelo, daqueles de contos fadas, localizado num monte ermo cercado de espinhos. E tudo o que lhe resta é ficar de corpo presente como um defunto em sua missa fúnebre. Um mero acessório na paisagem, ocupando espaço valioso numa mesa cheia de pessoas engraçadas e divertidas.

Como superar esse fosso cheio de crocodilos? Como ultrapassar essa ponte? Qual caminho seguir para sair dessa rotatória? Leste, oeste, norte e sul. Tantas opções, tantos caminhos. Melhor então é permanecer ali, naquele lugar, escondido, implorando aos deus que ninguém o perceba.

Apesar de extremamente tímido ele tem alguns poucos amigos que tentam matar o dragão e libertar a princesa do castelo. Cansado da solidão ele pensa, “Vamos lá, que mal faz?” Cheio de surpreendente coragem enche o peito e garante a si mesmo que será tudo diferente dessa vez. Toma um banho demorado, até canta enquanto a água que cai do chuveiro cumpre seu papel. Veste-se, perfuma-se e diante do espelho sente orgulho de si mesmo. Entra no carro e segue o caminho para o encontro. Assovia acompanhando a melodia que toca no rádio do carro. Olha-se no retrovisor e sorri. Porém ao chegar ao lugar marcado aquela voz traiçoeira grita dentro da sua cabeça. Reunindo o pouco de dignidade que a timidez não digeriu ergue a cabeça e vai. Cumprimenta todas as pessoas daquele grupo animado e ocupa o seu lugar no ostracismo. Permanece ali, calado, mero expectador da vida.

Eis que percebe um olhar, como longos dedos gelados tocando-lhe a nuca. Pega o celular tentando parecer despercebido e olha a tela como se algo bom surgisse ali. Mas nada está ali, apenas o relógio na screen. Agora aquele olhar arranha-lhe a nuca como unhas precisando de uma boa lixa. O que ele faz? Olha? Usa aquele já desgastado sorriso amarelo?  Um leve cumprimento com a cabeça? Sim faz tudo isso. Mecanicamente, mera convenção social.

Depois que o momento passa, aproveitando que a outra pessoa desviou o olhar, observa melhor o culpado. Essa pessoa chegou depois dele e por isso não foram apresentados. Passa então a observar detidamente o algoz e sente-se profundamente atraído. Desvia o olhar para que as pessoas ao seu redor não percebam o seu interesse. A mente se perde num turbilhão descontrolado, e novamente é atormentado pelos questionamentos. Quem é? Por que olhava detidamente? Muitos outros seguem a esses, baixa a cabeça e fecha os olhos numa tentativa vã de afugenta-los.

A noite segue, ele responde de forma monossilábica as poucas perguntas que seu amigo lhe faz. Tenta mostrar interesse na conversa ao lado, dá algumas opiniões breves. E novamente a sensação. O toque gelado em sua nuca. As unhas que arranham a sua pele a distância. A intuição maltratando a alma como se estivesse despertando-o de um sonho ruim, porém, nada na figura daquela pessoa lembra um sonho ruim, mas sim todo o conjunto é realmente muito bonito. E isso faz fortalecer o sentimento de vergonha. Ao mesmo que tempo que está atraído a timidez distancia-lhe daquilo que naquele momento mais deseja.

As mãos suadas agravam a dignidade que lhe resta, então decide utilizar o pior recurso. “Uma cerveja, por favor.” dirigindo-se ao garçom. Bebe a long neck quase num gole, estava gelada, gostosa, e de súbito a cabeça rodou. Do outro lado da mesa seu objeto de desejo sorria, era óbvio que percebia o drama. E ao contrário do que pensava antes, atirava-lhe um olhar terno, como se olhasse um cachorrinho. Com o rosto em chamas virou a segunda cerveja, mas dessa vez apenas meia garrafa.

Decide então que essa situação é insustentável e levanta-se, deixa o dinheiro das cervejas sobre a mesa e se encaminha para a porta. No entanto, existem alguns obstáculos que o impedem de prosseguir. Primeiro seu amigo o segura pelo braço. “Não vai, é cedo ainda!” Com alívio percebe que seu amigo não percebera o que acontecia, aquele pequeno flerte, seria a pior coisa. Seriam apresentados, os outros se afastariam para dar-lhes privacidade e ele, como que atingido por um raio, cairia morto. Sim, como eu disse antes, aquilo era um drama impossível de escapar. Desculpou-se dizendo que não sentia-se bem, seguido por um abraço apertado e um beijo no rosto como despedida.

O desespero a cada passo aumentava em seu peito. Ele sempre foi assim, de uma timidez quase patológica, porém o tempo ensinou-lhe a criar uma máscara que é confundida com arrogância, algo típico dos tímidos. Sentia-se seguido, sabia que aqueles olhos o seguiam enquanto caminhava e apertava muitas mãos em despedida. O caminho prolonga-se de forma inesperada, sua vontade é correr, mas assim a máscara cairia e todo aquela falsa segurança cairia por terra. Então respirando fundo agradece a cada um o convite.

Quanto mais perto chega mais forte é a sensação que aqueles olhos causam. Apesar do contato que lhe causa ainda mais acanhamento prefere um abraço breve, pois suas mão suam muito. Então, o próximo é o dono daquele olhar. Vê de relance ele se levantando. Sem poder fugir, enxuga as mãos nas calças o mais disfarçadamente que pode e estende a mão.

“Me chamo Paulo.” diz disfarçando o tremor na voz, é um aperto de mãos firmes. “Sou Daniel, prazer”, responde o outro, “muito prazer mesmo”, puxando para um abraço quase forçado. Quando o abraço longo acaba, olham-se nos olhos. Paulo se despede e caminha com as pernas bambas, solta mais alguns “tchaus” e “obrigados” e caminha o mais rápido que pode para o carro.

Seguro dentro do carro pode respirar fundo. Enfim em casa tranquiliza-se, deita e seus sonhos são ternos. Possíveis futuros abrem-se para ele, porém é assunto para um outro dia. Boa noite.

Resumo: ALGUNS ASPECTOS DO CONTO

Para Cortazar existem algumas constantes, certos valores que se aplicam a todos os contos, valores esses que lhes conferem a individualidade e qualidade de obra de arte. De difícil conceituação, o conto surge, como um conjunto de fatos que trabalham conjuntamente com a liberdade e a capacidade de síntese do artista. Cito a liberdade pois ao conto não se aplicam leis e síntese, segundo a analogia do autor, o romance é como o cinema e o conto como uma fotografia. O conto é um recorte, um fragmento da realidade, com limites determinados, porém com a força para abrir essa realidade captada pela lente da câmera. Como na fotografia, o conto é a escolha de uma imagem ou acontecimento significativo capaz de atuar não apenas em si mesmo mas no leitor. O contista não pode proceder cumulativamente, pois o conto insere em si um limite, ele traz uma noção de condensação de tempo e espaço, submetido a uma “alta pressão espiritual e formal para provocar essa ‘abertura’”. Ao conto pertence uma certa pressão no leitor desde as primeiras cenas.

Assim, o principal elemento do conto é o tema. A escolha do tema desde um acontecimento fantástico, dramático ou até mesmo um momento banal do cotidiano deve ser convertido a um “resumo implacável de uma certa condição humana.”

“Um conto é significativo quando quebra seus próprios limites com essa explosão de energia espiritual que ilumina bruscamente algo que vai muito além da pequena e às vezes miserável história que conta.”

Um tema às vezes é escolhido pelo autor, por vezes o autor se sente impelido a escrever. Um bom tema é um núcleo e os acontecimentos giram em torno desse único ponto, essa gravidade atrai os acontecimentos para si, fazendo suspeitar ao leitor uma realidade mais vasta. Algo que parece pequeno, porém que se espalha e nos faz transcender os limites do conto. Como em se tratando de contos nada é absoluto, o tema não é significativo por si só, o que existe é essa ligação entre o escritor e certo tema em determinado momento e entre certos contos e certos leitores. Dessa forma temos o contista e sua bagagem de vivências tentando criar uma obra, em seguida o tratamento que se dá a essa obra, ou seja, o desenvolvimento do tema. Podemos inferir que todo conto é predeterminado pelo que causa ao escritor, assim o conto tem que “nascer ponte” para que essa emoção seja transportada ao leitor.

Um bom contista tem que saber causar esse sentimento de “sequestro”, de arrebatamento no leitor, que segundo Cortazar é atingido usando um estilo baseado na intensidade e tensão. Intensidade se dá na eliminação do supérfluo, dos floreios, deve-se ater ao que é necessário para o desenvolvimento do tema. A tensão é a forma que autor tem de nos aproximar do tema, daquilo que o autor nos conta, a atmosfera do conto. Ambos os aspectos, intensidade e tensão, são, de fato, o oficio do escritor, é a demonstração mais clara de suas capacidades como contista. No entanto Cortazar enfatiza que essa arte, para ele, deve vir da vivência do escritor, pois se lhe faltar um motivação “entranhável” a obra não passará de exercício estético. O escritor deve estar totalmente comprometido com o que escreve, pois dessa forma garantirá a verdade que quis transmitir ao leitor. O conto deve ser como se apresenta ao escritor que não deve recear não ser aceito já que há um universo enorme de leitores, esses saberão distinguir a forma mais simples ou mais complexa, mais que o obrigará a evadir-se de sua realidade. O conto, mesmo com temas populares, só será bom se se ajustaram aos aspectos citados anteriormente.

CORTAZAR, Julio. Alguns aspectos do conto. In: Valise de Cronópio.