O Exorcista – William Peter Blatty

O Exorcista – William Peter Blatty

Contém Spoilers

De acordo com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, a palavra {#demónio|demônio} tem origem no grego daimónios, «que provém da divindade, enviado por um deus; que tem carácter divino, maravilhoso, extraordinário», através do latim daemŏnĭu-, que era substantivo, na acepção de «pequeno génio» e «o demónio», e {#adjectivo|adjetivo}, significando «divino, maravilhoso». Do grego para o português e para a grande parte das línguas europeias ocidentais, a palavra sofreu, portanto, uma evolução semântica que acarretou a criação de um significado oposto ao original (ver Orlando Neves, Dicionário da Origem das Palavras, Lisboa, Editorial Notícias, e Alice Póvoa, Ana Costa e Ana Ferreira, As Faces Secretas das Palavras, Porto, Edições ASA).

Fonte: CiberDúvidas da Língua Portuguesa

Dos muitos sites que pesquisei essa definição acima me parece a mais concisa. Então, se buscarmos a precisão lexical, veremos que esse termo é cercado, principalmente, de conotação religiosa. Em sua utilização inicial era tomado para designar seres sobrenaturais, no entanto, a dicotomia ente o “bem” e o “mal” foi assumido muito depois com o surgimento dos cultos religiosos após a morte de Jesus Cristo.  Dessa forma qualquer entidade que, seja ela criada no imaginário popular ou surgida na história de civilizações antigas,  é tomada como demoníaca. Esse termo é atribuído a muitas entidades na história judaico-cristã. Satanás, por exemplo, é o nome atual do anjo caído Lúcifer. O termo Satanás tem significado de “opositor”, que faz dele o inimigo de todos os cristãos.

Mas não é dessa entidade que iremos falar aqui.

O Exorcista - William Peter Blatty
O Exorcista – William Peter Blatty

William Peter Blatty lançou em 1971 o famoso livro “O Exorcista” que foi imediatamente um grande sucesso. Apenas dois anos depois foi lançado o filme que é um dos maiores ícones do cinema mundial.

Chris McNeil, uma famosa atriz de Hollywood, está em Washington gravando um filme e sua filha é possuída por uma forma demoníaca. Após os médicos falharem em encontrar um diagnóstico adequado, acreditam que a possessão é fruto de autossugestão e recomendam que ela busque um sacerdote que realize um ritual de exorcismo na tentativa que a autossugestão traga a cura. Chris é levada até um padre que é também um psiquiatra, Damien Karras, que luta com sua própria fé. Ele prontamente decidir ajudar, porém informa que será muito difícil que a igreja autorize o exorcismo. Em poucas semanas ele se convence e consegue a autorização. A igreja chama um padre mais experiente para realizar o ritual, Lankester Merrin, que morre durante o ritual. Karras, frustrado com o acontecimento, ordena que o demônio o tome. Quando isso acontece e no seu último momento de lucidez antes que a possessão se estabeleça atira-se pela janela e morre após rolar um longo lance de escadas.

O Exorcista é um história que já está incrustrada no imaginário das pessoas, por essa razão não falarei aqui sobre qualidade ou assuntos a fins. Apenas sobre as minhas impressões pessoais.

Assisti ao filme quando tinha apenas doze anos de idade, acredito que todos conheçam o impactado do filme sobre uma criança no início dos anos 90. Antes de todo esse exagero da computação gráfica. Nessa época o filme já tinha quase vinte anos que para mim era um filme antigo, porém em mim teve um impacto arrebatador. Fui um menino que adorava assistir filmes de terror e esperava sonhar com eles. No sonho era como se eu fizesse parte da história. Li o livro aos dezesseis anos quando morava em São Paulo. Umas das primeiras coisas que fiz quando cheguei por lá foi fazer minha ficha na biblioteca de Diadema,  já que em Fortaleza não temos bibliotecas públicas. Peguei o livro e li rapidamente. Todos aqueles novos detalhes que o livro trazia eram maravilhosos.

E hoje ao rever o filme, após uma releitura, cheguei a uma conclusão: além de grande escritor, Blatty é também um grande roteirista. Eu jamais conseguiria condensar a história contida no livro em um filme de apenas duas horas.

Na realidade a história é sobre vingança. O demônio concatenou todos acontecimentos para que se encontrasse novamente com o padre Merrin. Pazuzu é um demônio Sumério, é a personificação do vento sudoeste. Na mitologia era o rei dos ventos, filho de Hanbi, que trazia tempestade e a estiagem. Seu mito remonta de 1000 a.C. Tinha corpo de homem, asas, cabeça de leão ou cachorro, patas no lugar dos pés e o corpo escamoso. Era representado com a mão direita levantada e outra baixada, dicotomia entre a vida e a morte. Não era visto totalmente como mal, pois as pessoas traziam a sua imagem pendurada no pescoço ou na entrada da casa. Era também o protetor das grávidas, pois as protegia contra o demônio Lamashtu que matava os recém nascidos. Assim, volto à definição do termo demônio. Percebem como o mal não era absoluto?  Como é citado no livro, o padre Merrin teve um embate anterior com essa entidade, dez anos antes na África. Portanto, eles já se conheciam quando se encararam no sul do Iraque durante escavações arqueológicas.

Pazuzu e Pe. Merrin
Pazuzu e Pe. Merrin

Assim, o demônio fez todas as ligações necessárias. Ele deixou uma tábua ouija ao acesso da pequena Teresa Regan (Linda Blair) que, com a curiosidade que é natural em jovens de doze anos, começou a brincar com o desconhecido, a porta ficou aberta. Lentamente ele foi avançando para possuí-la. Primeiro eram apenas ruídos irritantes pela casa, depois a doença de Regan.

Chris MacNeil
Chris MacNeil

Ela é filha da famosa atriz Chris MacNeil (Ellen Burstyn), que passa por um momento de decisões em sua vida, está gravando um filme e recebe um convite para dirigir outro (seu grande sonho). Como nem tudo são flores, a doença da filha começa a afetar sua vida financeira e ao consultar seu administrador descobre um prejuízo em uma aplicação que não rendera o esperado e para arcar com as despesas deve atuar em mais um filme no mesmo ano. Para piorar o cenário, não pode contar com seu ex-marido, o relapso pai de Regan. E por fim, pesa sobre Regan a possível acusação de ter assassinado o diretor de Chris, Burke Dennings (Jack MacGowram).

Após esgotar todos os recursos médicos, eles acreditam que a doença de Regan seja de fundo psicológico, uma espécie de sonambulismo semelhante as possessões demoníacas em civilizações menos desenvolvidas. A solução seria então realizar um ritual de exorcismo.

Cris McNeil é levada até o padre Damien Karras (Jason Miller), que é jesuíta. Além de padre é psiquiatra, atribuindo os estados de possessão às doenças mentais. Cético, porém, ao ver a tristeza da atriz decide ajudar. Padre Karras tem sua paróquia profanada por satanistas que aparentemente realizaram uma missa negra naquele lugar. Lá é encontrado um papel com texto datilografado em Latim, quem escreveu o texto era fluente na língua, tinha dedos pequenos e usara a máquina de escrever da secretária de Chris. O que pensar diante disso? Os fatos se complicam e ele decide pedir ajuda à arquidiocese para a realização do exorcismo.

O presidente da ordem dos jesuítas decide chamar o missionário Lankester Merrin (Max Von Sydow) que possuía mais experiência. Não era do conhecimento da ordem que se tratava da mesma entidade. Assim, estabelece-se o embate. O filme não mostra, mas os dois tinham muita intimidade. O demônio demonstra nos diálogos esse reconhecimento.

O Exorcista
O Exorcista

Assim, para explicar a minha teoria dos planos de Pazuzu, vemos que ele escolheu um indivíduo que era rico (ela não morreria em um hospital psiquiátrico público), que precisava de descrição (pela posição de destaque de sua mãe), que seria difícil para a igreja ignorar um pedido de uma estrela de cinema e por fim o padre mais acessível era da mesma ordem de Karras. Enfim, não é difícil ver que o filme é um plano de vingança e todo o resto é apenas efeito colateral. Esses fatos só se mostram no livro, já que o filme seria muito longo para mostrar todos o detalhes. Eis a genialidade de Blatty.

A chegada de Merrin à casa dos MacNeil.
A chegada de Merrin à casa dos MacNeil.

Para mim os dois, tanto livro quanto filme, são espetaculares. As subtramas também nos prendem e os personagem são complexos e humanos. Regan é uma menina doce, Chris é uma mãe preocupada e uma trabalhadora aplicada, Karras é um padre com dúvidas sobre sua fé, os médicos são arrogantes (desculpem-me mas considero a maioria assim), os padres bebem e fumam e o detetive é irritante. E ainda devo mencionar o padre Dyer, amigo em comum de Chris e Karras, depois da cena da festa me pergunto se ele era a cota gay da trama.

Toda a aura de mistério e suspense criada é assustadora. A primeira vez que li todos os barulhos do ambiente me deixavam de cabelos em pé. Não vou falar dos detalhes técnicos aqui, já foram exaustivamente explorados nesses 42 anos de vida desse clássico do cinema e da Literatura americana.

Poderia me estender ainda mais, porém acho que já é suficiente.

Sociolinguística

Sociolinguística

Já que as aulas recomeçaram volto aos resumos. Este é o primeiro texto da disciplina Sociolinguística.

A autora inicia o texto afirmando que embora a Sociolinguística tenha sido criada em meados do século XX ela já havia sido abordada anteriormente por Meillet, Bakhtin e membros do Círculo de Praga. Esses cientistas não dissociavam o material da fala do produtor dessa fala, ou seja, o falante, eles consideravam importante analisar as condições da produção da fala. Duas premissas surgem dessa ideia: o relativismo cultural e a heterogeneidade linguística.

O relativismo cultural surge em Franz Boas, que estudava as línguas ameríndias. Esse pensamento levava a conclusão que uma manifestação cultural não é essencialmente superior ou inferior a outras. Linguistas americanos e europeus aumentaram o alcance dessa ideia para a comparação entre as variedades de uma língua estendendo ao repertório de um único falante.

A motivação inicial da pesquisa sociolinguística foi a constatação do baixo rendimento escolar de crianças de comunidades carentes, diferentemente do que acontecia com crianças de classe sociais mais altas. Buscando dentro do vernáculo dessas crianças as diferenças entre o padrão falado e o ensinado nas escolas. Nesse momento a Sociolinguística se voltava para a descrição das variações e dos fenômenos em processo de mudança da língua, expandindo-se depois para outros âmbitos da linguagem humana, como: as relações de poder e dominação, o papel da linguagem na formação e perpetuação de instituições sociais e a transmissão da cultura. Dessa forma é importante diferenciar os aspectos micros (multilinguismo, bilinguismo, diglossia, atitudes linguísticas, manutenção e mudança linguística) e macros (etnografia da comunicação, pragmática linguística, implicaturas conversacionais, línguas pidginis e crioulas, variação linguística e as múltiplas aplicações da disciplina). A Sociolinguística reavaliou a ideia de Chomsky, ampliando o conceito de competência linguística, avaliando o conhecimento do falante para produzir infinitas sentenças, de acordo com o sistema da língua, assim como a capacidade de adaptar a produção dessas sentenças à situação e ao destinatário.

A preocupação com a heterogeneidade linguística ainda advinha da diferença de rendimento escolar das crianças de grupos étnicos e sociais minoritários, principalmente de comunidades afro-americanas. O caráter variacionista desses sociolinguistas criou duas tendências que se relacionavam. A primeira estabelecia uma posição contraria a política compensatória surgida dessa problemática e a segunda partia do pressuposto das diferenças linguísticas entre professores e alunos, eles desconheciam o sistema linguístico uns dos outros. Os pensadores dessa corrente recomendavam que os professores aprendessem a identificar as diferenças dialetais de seus alunos (pronúncia, gramática e erros de leitura).

Do inglês literacy, surge o próximo tema do texto: “Letramento”, no sentido de alfabetização. Começando pelo foco nas mudanças sociopolíticas e demográficas que se seguiram ao uso extensivo da escrita, já que só após a invenção da imprensa é que a leitura e a escrita se espalharam pelos países europeus, antes a escrita era restrita principalmente aos mosteiros. O próximo passo foi a análise do desenvolvimento da tecnologia da escrita nos grupos das sociedades não industrializadas.

O primeiro modelo de estudos do letramento se preocupava na correlação entre a aquisição da escrita e o desenvolvimento cognitivo. De um lado a oralidade e a escrita e do outro o reconhecimento dos poderes inerentes à escrita e daqueles que a utilizavam. Pensamento esse que foi deixado de lado quando se percebeu que a forma de modelar o pensamento (pensamento lógico) se devia muito mais ao como o indivíduo era ensinado (treinamento escolar) do que apenas aprender a escrever.

Brian Street identificou duas maneiras de ver o letramento: atribuindo-lhe um caráter autônomo e uma análise a partir de uma perspectiva ideológica. O primeiro está ligado diretamente à escrita e por consequência à leitura. Pensamento esse permeado pelo preconceito de que aqueles indivíduos que sabem ler e escrever são capazes de desenvolver raciocínios complexos e os outros não. Seguindo esse pensamento, Walter Olson, questionou entre o letramento e a evolução social, histórica e cultural, e também as diferenças entre a linguagem oral e escrita. Desses questionamentos concluiu que praticamente tudo que pode ser escrito pode ser falado, distinguindo-se apenas pelas escolhas linguísticas entre os recursos utilizados das duas modalidades.

            “O que interessa é o que as pessoas fazem com o letramento e não o que o letramento faz as pessoas.” Olson

O modelo ideológico, aqui utilizado diferentemente do sentido marxista, diz que não haveria uma relação causal entre o letramento e o progresso tecnológico. O que é de difícil comprovação empírica, pois os nações mais adiantadas ou mais poderosas são as que mais desenvolveram práticas letradas extensiva e impressas, que possuem índices baixíssimos de analfabetismo funcional.

O último tema do texto é a diferença entre a oralidade e a escrita. A oralidade tem caráter predominantemente local e está sob a influência do momento da utilização, ou seja, o falante é influenciado pelo ouvinte, o que não ocorre com a escrita. Quanto maior é a influência do contexto, menor é a necessidade de precisão lexical. Na escrita o contexto é mais restrito assim a necessidade de maior formalidade e planejamento. Porém não devem ser identificadas como contrárias e sim como uma continuidade que parte da oralidade para o letramento.

Fonte: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. A Sociolinguística: uma nova maneira de ver o mundo. In: Manual de Sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2014.

Gerativismo

O autor inicia o texto explicando que a linguística gerativa (gerativismo ou gramática gerativa) teve início com a publicação do livro Estruturas sintático de Noam Chomsky em 1957. Surge com a intenção de criticar o pensamento behaviorista da época. O behaviorismo dizia que a linguagem era um fenômeno social, um sistema de hábitos gerados como resposta a estímulos e fixado pela repetição. Chomsky escreveu uma resenha criticando as ideias de um linguista behaviorista chamada Skinner. Nesse texto Chomsky conclui que a língua é produto da criatividade do homem, pois ao contrário da imitação e repetição, criamos frases totalmente novas. Dessa forma, todos os falantes são criativos e a criatividade é o principal aspecto caracterizador do comportamento linguístico humano, é elemento diferenciador entre o homem e os outros primatas. O comportamento linguístico dos indivíduos é interior, resultado de um dispositivo inato, e deve ser fincado na biologia cérebro/mente (faculdade mental natural). Esse elemento biológico é o que constitui a capacidade linguística do indivíduo, elemento esse que chamamos de faculdade da linguagem.

     O gerativismo busca analisar a linguagem humana de uma forma matemática e abstrata (formal), que se afasta do empirismo da gramática tradicional, do estruturalismo e da sociolinguística. A linguística gerativista está mais próxima das ciências cognitivas, pois se aproxima da linha interdisciplinar dos estudos da mente humana.

     O modelo gerativista inicialmente ficou conhecido como gramática transformacional. Era constituída em uma descrição de como os elementos das sentenças eram formados e como eles se transformavam em outros por meio de aplicação de regras. Os gerativistas representavam as estruturas sintáticas por meio de diagrama arbóreo, em seguida criavam regras transformacionais, que transformavam uma estrutura existente em outra nova, derivando estruturas. Essa ideia de transformação como operação computacional (fenômeno sintático) que derivam sentenças é o ponto central da pesquisa gerativista até hoje.

     Outro foco dessa pesquisa é o conhecimento implícito, inconsciente e natural que todos temos sobre o uso da língua e não das regras da gramatica normativa. De outra forma posso dizer que é o conhecimento interno e tácito das regras que governam a formação das frases da língua, que chamamos de competência linguística. E manifestação da competência, ou seja, o uso concreto da língua que chamamos de desempenho linguístico. O gerativismo se ocupa, principalmente, da competência, pois se preocupa em elaborar uma teoria formal que explique o funcionamento abstrato da linguagem na mente humana.

     A partir da década de 1980 surge a gramática universal que é o conjunto de propriedades gramaticais comuns compartilhadas por todas as língua naturais, bem como as diferenças entre elas que são previsíveis segundo o leque de opções disponíveis na própria gramatica universal. Segundo essa gramática formulou-se a teoria de princípios e parâmetros, que é pensada a partir da sintaxe, que é onde se percebem as grandes semelhanças entre as línguas existentes no mundo. O estudo separado surge com a gramática modular que estuda os diversos componentes da gramática de forma independente como módulos autônomos. Os “princípios” são as propriedades gramaticais que são válidas para todas as línguas naturais e os “parâmetros” são as possibilidades (limitadas sempre de maneira binária) de variação entre as línguas. Por exemplo, a existência de sujeitos nas sentenças é um princípio da gramatica universal, enquanto, a possibilidade do sujeitos estar presente, oculto, indeterminado e etc. caracteriza um parâmetro.

     Em 2001, o geneticista participante do projeto genoma humano, Anthony Monaco desenvolveu a teoria sobre o gene FOXP2, que aparentemente está a certos distúrbios da fala. Apesar de ser contestado por outros geneticistas, essa teoria abriu a porta a uma discussão mais aprofundada no âmbito da linguística gerativa sobre a genética da linguagem humana. Consequentemente, a linguística gerativa será a corrente da ciência da linguagem que travará forte dialogo com as ciências naturais.

     O projeto da linguística gerativa é observar comparativamente as línguas humana em todas as peculiaridades (morfofonologicas, sintáticas, semânticas, etc.) , descrevendo os princípios e parâmetros pertencentes à competência linguística, para explicar a faculdade da linguagem humana, como parte da capacidade mental.

KENEDY, Eduardo. Gerativismo. In: Manual de linguística. Org. MARTELOTA, Mario. 2a ed. – São Paulo: Contexto, 2011.

Esquema: Coesão textual Ingedore Kock

Esquema: Coesão textual Ingedore Kock

COESÃO TEXTUAL

MECANISMOS

  • Referência:
    • Pessoal;
    • Demonstrativa;
    • Comparativa.
  • Substituição:
    • Nominal;
    • Verbal;
    • Frasal.
  • Elipse:
    • Nominal;
    • Verbal;
    • Frasal.
  • Conjunção:
    • Aditiva;
    • Adversativa;
    • Causal;
    • Temporal;
    • Continuativa.
  • Coesão lexical:
    • Repetição;
    • Sinonímia;
    • Hiperonímia;
    • Uso de nomes genéricos;
    • Colocação.

REFERÊNCIA

Conceitos

  • Pressuponente: item que no discurso não pode ser interpretado semanticamente por si só, mas que remete ao pressuposto.
  • Pressuposto: item no discurso que remete ao pressuponente.
  • Referência exofórica: ou situacional, quando o referente está fora do texto.
  • Referência endofórica: ou textual, quando o referente se encontra expresso no próprio texto.
  • Referência anafórica: quando o referente precede o item coesivo.
  • Referência catafórica: quando o referente está após o item coesivo.

Tipos

  • Referência pessoal: pronomes pessoais e possessivos.
  • Referência demonstrativa: pronomes demonstrativos e advérbios indicativos de lugar.
  • Referencia comparativa: por via indireta, por meio de identidades e similaridades.

SUBSTITUIÇÃO

“Consiste, para Halliday & Hasan, na colocação de um item em lugar de outro(s) elemento(s) do texto, ou até mesmo, de uma oração inteira. Segundo esses autores, a principal diferença entre substituição e referência é que, nesta, há total identidade referencial entre o item de referência e o item pressusposto, ao passo que na substituição ocorre sempre alguma redefinição.”

ELIPSE

“Uma substituição por zero: omite-se um item lexical, um sintagma, uma oração ou todo um enunciado, facilmente recuperáveis pelo contexto.”

CONJUNÇÃO

“Ou conexão, permite estabelecer relações significativas específicas entre elementos ou orações do texto. Tais relações são assinaladas explicitamente por marcadores formais que correlacionam o que está para ser dito àquilo que já foi dito. Marcadores como e, mas, depois, assim e etc.”.

  • Aditiva;
  • Adversativa;
  • Causal;
  • Temporal;
  • Continuativa.

COESÃO LEXICAL

  • Reiteração: repetição do mesmo item lexical ou através de sinônimos, hiperônimos ou nomes genéricos.
  • Colocação ou contiguidade: uso de termos pertencentes a um mesmo campo significativo.

CRÍTICAS A HALLIDAY & HASAN

Harweg (1968)

    • Texto: sucessão de unidades linguísticas constituída por uma “cadeia pronominal ininterrupta”. Qualquer membro referente (seres, objetos, lugares, etc.) pode ser retomado no texto através da forma linguística substituta (pronomes). Múltiplo referenciamento.
    • REFERÊNCIA = SUBSTITUIÇÃO.
  • Kallmeyer, Meyer-Herman et al (1974)
  • Teoria da referência mediatizada. FALANTE ↔ OUVINTE
  • Pronomes pessais de 3ª pessoa dão ao leitor/ouvinte apenas instruções de conexão (diferença entre pronomes e SN referente)
  • Insruções em níveis:
  • Pragmático (consequência)
  • Semântico (sentido)
  • Sintático (conexão)
  • Brown & Yule (1983)
    • Formas co-referenciais:
      • Formas repetidas;
      • Parcialmente repetidas;
      • Substituição lexical;
      • Formas substitutas;
      • Formas elididas;
      • Relações lexicais.
        • Hiponímia, Hiperonímia e parte do todo;
        • Colocabilidade;
        • Outras relações estruturais (substituição clausal);
        • Comparação;
        • Repatição sintática;
        • Opções estilísticas.

“As formas substitutas fazem parte do conjunto das referências e não um conjunto a parte.”

“Itens referenciais, como simples substitutos do referente, poderiam sempre ser trocados por ele.”

“A medida que o texto se desenvolve o referente sofre mudanças de estado, de modo que a descrição vai mudando. É necessário que se possa associar, como referente, mudanças de estado e transportá-las, ou pelo menos algumas delas, a medida que o texto progride.”