O Exorcista – William Peter Blatty

O Exorcista – William Peter Blatty

Contém Spoilers

De acordo com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, a palavra {#demónio|demônio} tem origem no grego daimónios, «que provém da divindade, enviado por um deus; que tem carácter divino, maravilhoso, extraordinário», através do latim daemŏnĭu-, que era substantivo, na acepção de «pequeno génio» e «o demónio», e {#adjectivo|adjetivo}, significando «divino, maravilhoso». Do grego para o português e para a grande parte das línguas europeias ocidentais, a palavra sofreu, portanto, uma evolução semântica que acarretou a criação de um significado oposto ao original (ver Orlando Neves, Dicionário da Origem das Palavras, Lisboa, Editorial Notícias, e Alice Póvoa, Ana Costa e Ana Ferreira, As Faces Secretas das Palavras, Porto, Edições ASA).

Fonte: CiberDúvidas da Língua Portuguesa

Dos muitos sites que pesquisei essa definição acima me parece a mais concisa. Então, se buscarmos a precisão lexical, veremos que esse termo é cercado, principalmente, de conotação religiosa. Em sua utilização inicial era tomado para designar seres sobrenaturais, no entanto, a dicotomia ente o “bem” e o “mal” foi assumido muito depois com o surgimento dos cultos religiosos após a morte de Jesus Cristo.  Dessa forma qualquer entidade que, seja ela criada no imaginário popular ou surgida na história de civilizações antigas,  é tomada como demoníaca. Esse termo é atribuído a muitas entidades na história judaico-cristã. Satanás, por exemplo, é o nome atual do anjo caído Lúcifer. O termo Satanás tem significado de “opositor”, que faz dele o inimigo de todos os cristãos.

Mas não é dessa entidade que iremos falar aqui.

O Exorcista - William Peter Blatty
O Exorcista – William Peter Blatty

William Peter Blatty lançou em 1971 o famoso livro “O Exorcista” que foi imediatamente um grande sucesso. Apenas dois anos depois foi lançado o filme que é um dos maiores ícones do cinema mundial.

Chris McNeil, uma famosa atriz de Hollywood, está em Washington gravando um filme e sua filha é possuída por uma forma demoníaca. Após os médicos falharem em encontrar um diagnóstico adequado, acreditam que a possessão é fruto de autossugestão e recomendam que ela busque um sacerdote que realize um ritual de exorcismo na tentativa que a autossugestão traga a cura. Chris é levada até um padre que é também um psiquiatra, Damien Karras, que luta com sua própria fé. Ele prontamente decidir ajudar, porém informa que será muito difícil que a igreja autorize o exorcismo. Em poucas semanas ele se convence e consegue a autorização. A igreja chama um padre mais experiente para realizar o ritual, Lankester Merrin, que morre durante o ritual. Karras, frustrado com o acontecimento, ordena que o demônio o tome. Quando isso acontece e no seu último momento de lucidez antes que a possessão se estabeleça atira-se pela janela e morre após rolar um longo lance de escadas.

O Exorcista é um história que já está incrustrada no imaginário das pessoas, por essa razão não falarei aqui sobre qualidade ou assuntos a fins. Apenas sobre as minhas impressões pessoais.

Assisti ao filme quando tinha apenas doze anos de idade, acredito que todos conheçam o impactado do filme sobre uma criança no início dos anos 90. Antes de todo esse exagero da computação gráfica. Nessa época o filme já tinha quase vinte anos que para mim era um filme antigo, porém em mim teve um impacto arrebatador. Fui um menino que adorava assistir filmes de terror e esperava sonhar com eles. No sonho era como se eu fizesse parte da história. Li o livro aos dezesseis anos quando morava em São Paulo. Umas das primeiras coisas que fiz quando cheguei por lá foi fazer minha ficha na biblioteca de Diadema,  já que em Fortaleza não temos bibliotecas públicas. Peguei o livro e li rapidamente. Todos aqueles novos detalhes que o livro trazia eram maravilhosos.

E hoje ao rever o filme, após uma releitura, cheguei a uma conclusão: além de grande escritor, Blatty é também um grande roteirista. Eu jamais conseguiria condensar a história contida no livro em um filme de apenas duas horas.

Na realidade a história é sobre vingança. O demônio concatenou todos acontecimentos para que se encontrasse novamente com o padre Merrin. Pazuzu é um demônio Sumério, é a personificação do vento sudoeste. Na mitologia era o rei dos ventos, filho de Hanbi, que trazia tempestade e a estiagem. Seu mito remonta de 1000 a.C. Tinha corpo de homem, asas, cabeça de leão ou cachorro, patas no lugar dos pés e o corpo escamoso. Era representado com a mão direita levantada e outra baixada, dicotomia entre a vida e a morte. Não era visto totalmente como mal, pois as pessoas traziam a sua imagem pendurada no pescoço ou na entrada da casa. Era também o protetor das grávidas, pois as protegia contra o demônio Lamashtu que matava os recém nascidos. Assim, volto à definição do termo demônio. Percebem como o mal não era absoluto?  Como é citado no livro, o padre Merrin teve um embate anterior com essa entidade, dez anos antes na África. Portanto, eles já se conheciam quando se encararam no sul do Iraque durante escavações arqueológicas.

Pazuzu e Pe. Merrin
Pazuzu e Pe. Merrin

Assim, o demônio fez todas as ligações necessárias. Ele deixou uma tábua ouija ao acesso da pequena Teresa Regan (Linda Blair) que, com a curiosidade que é natural em jovens de doze anos, começou a brincar com o desconhecido, a porta ficou aberta. Lentamente ele foi avançando para possuí-la. Primeiro eram apenas ruídos irritantes pela casa, depois a doença de Regan.

Chris MacNeil
Chris MacNeil

Ela é filha da famosa atriz Chris MacNeil (Ellen Burstyn), que passa por um momento de decisões em sua vida, está gravando um filme e recebe um convite para dirigir outro (seu grande sonho). Como nem tudo são flores, a doença da filha começa a afetar sua vida financeira e ao consultar seu administrador descobre um prejuízo em uma aplicação que não rendera o esperado e para arcar com as despesas deve atuar em mais um filme no mesmo ano. Para piorar o cenário, não pode contar com seu ex-marido, o relapso pai de Regan. E por fim, pesa sobre Regan a possível acusação de ter assassinado o diretor de Chris, Burke Dennings (Jack MacGowram).

Após esgotar todos os recursos médicos, eles acreditam que a doença de Regan seja de fundo psicológico, uma espécie de sonambulismo semelhante as possessões demoníacas em civilizações menos desenvolvidas. A solução seria então realizar um ritual de exorcismo.

Cris McNeil é levada até o padre Damien Karras (Jason Miller), que é jesuíta. Além de padre é psiquiatra, atribuindo os estados de possessão às doenças mentais. Cético, porém, ao ver a tristeza da atriz decide ajudar. Padre Karras tem sua paróquia profanada por satanistas que aparentemente realizaram uma missa negra naquele lugar. Lá é encontrado um papel com texto datilografado em Latim, quem escreveu o texto era fluente na língua, tinha dedos pequenos e usara a máquina de escrever da secretária de Chris. O que pensar diante disso? Os fatos se complicam e ele decide pedir ajuda à arquidiocese para a realização do exorcismo.

O presidente da ordem dos jesuítas decide chamar o missionário Lankester Merrin (Max Von Sydow) que possuía mais experiência. Não era do conhecimento da ordem que se tratava da mesma entidade. Assim, estabelece-se o embate. O filme não mostra, mas os dois tinham muita intimidade. O demônio demonstra nos diálogos esse reconhecimento.

O Exorcista
O Exorcista

Assim, para explicar a minha teoria dos planos de Pazuzu, vemos que ele escolheu um indivíduo que era rico (ela não morreria em um hospital psiquiátrico público), que precisava de descrição (pela posição de destaque de sua mãe), que seria difícil para a igreja ignorar um pedido de uma estrela de cinema e por fim o padre mais acessível era da mesma ordem de Karras. Enfim, não é difícil ver que o filme é um plano de vingança e todo o resto é apenas efeito colateral. Esses fatos só se mostram no livro, já que o filme seria muito longo para mostrar todos o detalhes. Eis a genialidade de Blatty.

A chegada de Merrin à casa dos MacNeil.
A chegada de Merrin à casa dos MacNeil.

Para mim os dois, tanto livro quanto filme, são espetaculares. As subtramas também nos prendem e os personagem são complexos e humanos. Regan é uma menina doce, Chris é uma mãe preocupada e uma trabalhadora aplicada, Karras é um padre com dúvidas sobre sua fé, os médicos são arrogantes (desculpem-me mas considero a maioria assim), os padres bebem e fumam e o detetive é irritante. E ainda devo mencionar o padre Dyer, amigo em comum de Chris e Karras, depois da cena da festa me pergunto se ele era a cota gay da trama.

Toda a aura de mistério e suspense criada é assustadora. A primeira vez que li todos os barulhos do ambiente me deixavam de cabelos em pé. Não vou falar dos detalhes técnicos aqui, já foram exaustivamente explorados nesses 42 anos de vida desse clássico do cinema e da Literatura americana.

Poderia me estender ainda mais, porém acho que já é suficiente.

Anúncios

Inadequado

Angélica e Virgínia conversam.
Angélica e Virgínia conversam.

Existe uma cena em As Horas que está presa em minha cabeça desde ontem quando novamente assisti ao filme. Virgínia constrói um túmulo para um passarinho morto encontrado pelos sobrinhos. Ela e sua sobrinha Angélica conversam sobre o pássaro e sobre a morte. Sua sobrinha questiona para onde iremos após nossa morte. Eu confesso que a resposta de Virgínia me parece absolutamente correta. “We return to the place we came from.” Ela responde após uma pausa. E ambas concordam não recordar sobre esse tal lugar. Se viemos do nada, para lá retornamos, se viemos de Deus, então esse será o nosso destino.

Esse filme me marca em diversos aspectos. As transições, as passagens de tempo entre as três histórias e a forma de Virgínia pensar sobre Mrs. Dalloway. Quem é essa mulhar que acorda certa manhã e decide ir ela mesma comprar as flores? Eu nunca li o livro, um pouco de vergonha ao confessar, porém às vezes quando penso em literatura essa senhora sempre retorna ao meu pensamento. Ontem acordei pensando nesse filme e o assisti novamente, fazia alguns anos que não o via e com minha memória de peixe de aquário foi quase um filme inédito, mas é sempre bom recordar.

O filme, As Horas, conta três histórias paralelas. A primeira é da própria Virgínia Woolf, que, com todos os seus problemas, decide escrever a história dessa mulher que prepara uma festa. A segunda é a história de Laura Brown, uma mulher, acredito que na década de1950 ou 1960, mãe de um menino e que está grávida. Acorda no dia do aniversário de seu marido e decide fazer um bolo para comemorar. E a última, nos dias de hoje, conta um dia na vida de Clarissa Vaughan que tem esse sentimento de obrigação em dar uma festa em homenagem ao seu amigo que ganhou um prêmio.

As três histórias são marcadas pela tensão da vida, sobre as frustrações de desejos não realizados e sobre como conviver com elas. Sabemos desde o começo do filme sobre a condição de Virgínia, as pessoas são mostradas cochichando ou se sentindo desconfortáveis com a sua presença e ela mesma parece se sentir sempre inadequada.

– Minha vida foi roubada de mim. – Diz Virgínia. – Vivo numa cidade que não desejo viver. Vivo uma vida que não desejo viver. Como isso foi acontecer? Está na hora de mudarmos de volta pra Londres. Sinto falta de Londres. Sinto falta da vida de Londres.

– Essa não é você falando. – Leonard responde. – Esse é um aspecto da sua doença.

– Sou eu.

– Não é você.

– É a minha voz.

– Não é sua voz.

– É minha e só minha.

– É a voz que você escuta.

– Não é… É a minha!

Laura está sempre com um sorriso que não se reflete em seus olhos tristes e Clarissa é uma panela de pressão a ponto de explodir. Sinto uma empatia enorme por essas personagens, é como se eu mesmo fosse refletido naquele filme. Estar sempre em situações em que não queria estar e quando se está feliz as pessoas ao redor não compartilham da mesma alegria. Sim, esse sou eu. Não existe redenção, não existe melhora, não existe cura. Sempre um momento de alegria seguida de uma vida inteira de frustração.

Comecei esse texto pensando sobre as questões de vida ou morte, no entanto, a verdade é apenas que eu gostaria de expressar outra coisa. Queria apenas escrever sobre esse sentimento, a inadequação. Onde começa? Quando termina? É como estar sempre sozinho, uma solidão repleta de pessoas, mas todas voltando as costas para você. Onde tudo que se diz é errado ou cada gesto uma gafe. Todos são adequados, com traquejo, com elegância e você é o único estranho, que não se encaixa, selvagem e civilizado ao mesmo tempo.

Sinto-me assim desde que tomei consciência de mim mesmo. Antes, quando criança, achava que todos nós éramos um, e o único sentimento ruim que existia era quando alguém não fazia algo que eu queria, como uma mão paralisada quando meu desejo é acenar. Um dia percebi que não era assim que o mundo funcionava e foi a minha primeira frustração. Desde então tento herculeamente me adaptar a essa realidade, aquele sentimento de “um” ainda me persegue, e muita vezes me sinto magoado quando alguém não me entende ou faço algo errado. Tendo ser gentil, ser eloquente, mas é por vezes um sacrifício.  Busco um pouco de paz em estar sozinho, ou no silêncio de ver um filme. As vozes da minha consciência não param, eu converso o tempo todo comigo, como se estivesse em uma academia filosófica, sempre tentando inferir o porquê de tudo, sempre buscando sentido na mais animalesca atitude humana. Justifico-me o tempo todo, como se sempre estivesse errado. Estou sempre errado? Ou são os outros que estão?

Assim, como Clarissa tenta agradar, tento ser aquela pessoa que as pessoas gostam, mas não consigo na maioria das vezes. Meu maior desejo é usar essa capacidade que as pessoas têm hoje de ativar um botão e não se importarem com nada. Esse sentimento de “foda-se” existe mesmo ou é apenas mais uma máscara? Será que na realidade sou apenas muito transparente? Como se aprende a ser blasé? Onde reside essa capacidade?

Ser inadequado é ser sozinho. Dificilmente encontro alguém assim, porque se são não assumem como eu. Por mais que estejamos acompanhados, ou namorando, ou até casados, mesmo que amemos nossos companheiros, somos sempre incompreendidos, e esse sentimento machuca, então escondemos por trás de uma máscara todo esse sentimento, e veja bem, somos muito hábeis em fazê-lo, enganamos até nós mesmos por um tempo. Esse momento de engano é um alívio. Um oásis no deserto árido das relações sociais.

Hoje, como um homem adulto, percebo ao meu redor essa noção construída de maturidade, que a meu ver parece ser irreal. As pessoas devem ter sucesso e trabalhar como autômatos. A vida se torna uma sucessão de demonstrações de que se é feliz. Não me sinto impelido a essas obrigações, não preciso ser feliz o tempo todo, e quando não estou bem não é criancice. Minhas dores são reais e as suas não são maiores, apenas diferentes.  Uma vez uma professora disse que eu sofria do mal dos poetas, tenho a mente povoada por personagens que lutam para fugir desse cárcere, que pensar demais sobre eles é como sacudir uma gaiola cheia de ratos de laboratório e, por fim, as sutilezas que eu percebo não são mais do nosso tempo. Será? Transito fora do meu tempo? A música, às vezes são apenas ruídos sem sentido e os textos sem nexo.

Concluído e deixando as lamúrias de lado, sou um pouco como os imortais de Borges. Às vezes as sutilezas me despertam. Bebi daquele rio. Um dia talvez volte a me inserir nesses diálogos desconexos, embriagados pelo cotidiano e pelos entorpecentes ou me anestesie de tal forma que encontre o método do “foda-se”. Desconheço o que o futuro me reserva, mas estarei aqui aguardando, não como essa teoria americanizada de sucesso propõe, apenas estarei como expectador desse teatro de fantoches que somos perante a vida. Um dia me adequo às convenções. Estarei vivo? Estarei morto?

Sobre o filme:IMDB

Os Barrymore

Existem famílias que se dedicam a um determinado serviço, a uma determinada profissão. E esse é o caso do clã Barrymore

Tudo começou com Maurice Barrymore. Ele nasceu em 1849, em AmritsarPunjab,Índia, e era filho de William Edward Blythe e Matilda Chamberlayne. Seu nome verdadeiro era Herbert Arthur Blythe Chamberlayne, e sua mãe morreu no parto.

Maurice Barrymore

Quem o criou foi sua tia, Amelia Chamberlayne Blythe, irmã de sua mãe que era casada com o irmão de seu pai. Herbert foi mandado para a Inglaterra, e fez Direito em Oxford. Além disso, gostava de boxe e futebol, destacando-se, nestes esportes. Mas, entre todas estas atividades, ele acabou escolhendo o teatro, escandalizando seu pai. Aos 23 anos (1872) ele posou para seu primeiro retrato teatral, e mudou seu nome para Maurice Barrymore, a fim de não “envergonhar” o pai…

Em 1874, Maurice migrou para os Estados Unidos, e estreou na peça Under the Gaslight, e no ano seguinte estreou na Broadway, onde conheceu a também atriz Georgiana Drew.

Georgiana Emma Drew nasceu em 1856 na FiladélfiaEstados Unidos, e era filha do ator irlandês John Drew (1827/1862) e da atriz inglesa Louisa Lane Drew (1820/1897). Além dos pais, os irmãos de Georgiana também eram atores: Louisa Drew (1852/1888),John Drew Jr. (1853/1927, na foto abaixo) e Sidney Drew (1863/1919).

Foi John Drew Jr. que apresentou Maurice Barrymore para sua irmã Georgie (como era chamada). Os dois logo se apaixonaram e se casaram, em 1876, ele com 27 e ela com 20.

E logo vieram os filhos: Lionel Herbert Blythe (nascido em 1878), Ethel Mae Blythe(nascida em 1879) e John Sidney Blythe (nascido em 1882).

As crianças ficavam com a avó Louisa, enquanto os pais faziam turnês pelos Estados Unidos. Infelizmente, Georgiana morreu em 1893, vítima de tuberculoseLionel tinha 15 anos, Ethel tinha 14 e John tinha 11 anos. E o pai, Maurice tinha 44 anos… Mas, em 1894, ele casou-se novamente, com Mamie Floyd, o que não agradou Ethel

Maurice Barrymore morreu em 1905, internado como louco (efeito da sífilis). Tinha 56 anos…

Lionel Barrymore, o filho mais velho de Maurice e Georgiana, começou sua carreira no teatro, atuando com a avó Louisa e com o tio John Drew Jr., ainda na década de 1890. Em 1901 ele estrelou The Second in Command e em 1902 fez The Mummy and the Hummingbird. Ele tinha 24 anos, nessa época. Em 1904, aos 26, casou-se com a atrizDoris Rankin (1888/1946).

Doris era filha do também ator McKee Rankin, e sua irmã Gladys era casada com o tio deLionelSidney Drew. Então, estava tudo em família…Abaixo, Lionel Doris:

O casal viveu alguns anos em Paris, e depois voltou aos Estados UnidosLionel atuou em peças de teatro com seu irmão John (Peter Ibbetson – 1917 e The Jest – 1919) e com Doris(The Copperhead – 1918). Mas ele já havia começado a atuar em filmes desde 1911, quando fez The Battle. Também atuou em The New York Hat (1912) e Friends e Three Friends(1913).

A irmã de Lionel, Ethel Barrymore, estreou na Broadway em 1895, mesmo ano em que foi realizada a primeira sessão de cinema, em Paris, pelos Irmãos Lumière. A sua peça de estréia foi The Imprudent Young Couple, onde atuou com seu tio, John Drew Jr.

Em 1897, Ethel foi para Londres, onde atuou em Secret Service. Depois, em 1898, ela atuou em The Bells e Peter The Great. Sua beleza e talento chamaram a atenção, a ponto de Winston Churchill, então com 24 anos, lhe pedir em casamento (ela estava com 19 anos).

Apesar da recusa, os dois se tornaram amigos. Ethel retornou aos Estados Unidos e, em 1901, estrelou Captain Jinks of the Horse Marines. Em 1905, atuou em A Doll’s House, deIbsen. Abaixo, a atriz em 1901:

A estréia de Ethel Barrymore no cinema ocorreu em 1914, em O Rouxinol. Seu tio Sidney Drew, e seu irmão Lionel tinham estreado em 1911, e John, o caçula, tinha estreado em 1913. Então, ela foi a última, entre os irmãos, a atuar na sétima arte. E fez 15 filmes mudos, entre 1914 e 1919, mas apenas dois ainda existem: The Awakening of Helena Ritchie (1916, incompleto) e The Call of Her People (1917).

O caçula, John Barrymore, seguiu a carreira teatral, assim como seus parentes. Mas Johnera o mais “problemático”, tendo sido expulso da escola, em 1898 (tinha 16 anos), por ter ido a um bordel. Ele até tentou ser jornalista, mas acabou “cedendo” aos palcos em 1903. Em 1905, já estava atuando em Londres.

Entre 1901 e 1902, John Barrymore tinha namorado a atriz Evelyn Nesbit (1884/1967). Nessa época, ela foi operada. Os dois disseram que era apendicite, mas correram rumores de que havia sido um aborto. Anos depois (1906), Evelyn se envolveu com o arquitetoStanford White, e este foi assassinado por Harry Thaw K., marido dela. No julgamento, tentaram provar que ela era imoral, e John Barrymore foi chamado para depor. Mas negou que ela tivesse feito o tal aborto

Neste mesmo ano, John Barrymore esteve em San Francisco, bem na época do terremoto, e fez inúmeros relatos sobre o mesmo, tentando se promover…

Em 1910, John Barrymore se casou com a também atriz Katherine Harris Corri. Os dois atuaram juntos em Nearly A King e The Lost Bridegroom, ambos de 1916. O casamento acabou um ano depois, em 1917…

Em 1918, morreu o primo dos irmãos BarrymoreS. Rankin Drew (1891/1918), durante aPrimeira Guerra Mundial. E o pai dele, tio dos três, Sidney Drew, morreu no ano seguinte…

E vieram os anos 20. Lionel separou-se de Doris em 1923, após a perda de duas filhas:Ethel Barrymore II (1910/1910) e Mary Barrymore (1916/1917). Neste mesmo ano, ele se casou com Irene Fenwick (1887/1936). Esse segundo casamento durou até 1936, quando ela morreu. Não tiveram filhos…

Irene havia sido amante de John, e os dois irmãos ficaram cerca de dois anos sem se falar…Nessa época, Lionel trabalhou em The Eternal City (1923), Fifty-Fifty (1925), The Bells (1926, com Boris Karloff), e outros.

Ethel havbia se casado em 1909, com Russel Grisworld Colt (1882/1959), com quem teve três filhos: Samuel Peabody Barrymore Colt (1909/1986), Ethel Barrymore Colt(1912/1977) e John Drew Colt (1913/1975). O casal separou-se em 1923. Abaixo, a família em 1914:

Em 1926 ela atuou em Camille, seu último filme. Depois disso, trabalhou apenas em teatro até a sua morte, em 1959.

John Barrymore casou-se, pela segunda vez, com a atriz e poetisa Blanche Oelrichs(1890/1950), e com ela teve uma filha, Diana Blanche Barrymore (1921/1960). No cinema, atuou em Dr. Jekyll e Mr. Hyde (1920), Sherlock Holmes (1922), Beau Brummel (1924), The Sea Beast e Don Juan (ambos de 1926). E todos ainda no tempo do cinema mudo. E foi na estréia de Don Juan que John voltou a falar com Lionel…Abaixo, John Barrymore eBlanch Oelrichs:
Em 1925, o casal separou-se, e em 1928 John Barrymore se casou com a atriz Dolores Costello (1903/1979). Esse casamento durou até 1934, e gerou dois filhos: Dolores Ethel Mae Barrymore (1930/) e John Blythe Barrymore Drew Jr. (1932/2004). Dolorestrabalhou com John no filme The Sea Beast (1926). Abaixo, John Dolores:
Em 1927, morreu outro tio de LionelEthel John, o também ator John Drew Jr.
Em 1931, Lionel Barrymore ganhou um Oscar, por sua atuação em A Free Soul. Em 1932, atuou em Rasputin and The Empress, com Ethel John. Ainda neste ano, atuou com o irmão John e com a atriz Greta Garbo em Grand Hotel. Em 1937, trabalhou em Captain Courageous, em 1946 apareceu em Duel In The Sun e em 1948 atuou em Key Largo. Mas sua fama se deve ao Doctor Kildare, série que protagonizou nas décadas de 30 e 40, e peloSr. Potter, em A Wonderful Life (1946). Lionel Barrymore faleceu em 1954…
John Barrymore separou-se de Dolores Costello em 1934. Em 1936, casou-se com sua quarta e última esposa: Elaine Barrie (1915/2003). Viveu com ela até 1940.

No cinema, fez Moby Dick (1930), Svengali (1931), Grand Hotel (1932), Dinner at Eight  eTopaze (1933). Nessa época, ele já estava tendo problemas com o álcool, inclusive esquecendo suas falas…E veio a falecer em 1942…Abaixo, John Barrymore e Greta Garbo, em Grand Hotel (1932):

Lionel não deixou filhos. Ethel teve três (SamuelEthel John) e John teve outros três (DianaDolores John).

Samuel Barrymore Colt (1909/1986)
Ethel Barrymore Colt (1912/1977)
John Drew Colt (1913/1975)
Diana Blanche Barrymore (1921/1960) – era filha de John Barrymore e Blanche Oelrichs. Foi criada em Paris, longe do pai, e perto da amargura da mãe. Foi enteada deDolores Costello e meia-irmã de John Drew Barrymore. Trabalhou na Broadway e fez alguns filmes (Manpower – 1941; Eagle Squadron e Nightmare – ambos de 1942;  The Adventures of Mark Twain – 1944, e mais alguns). Foi casada com o ator Bramwell Fletcher (1904/1988, 17 anos mais velho que ela) entre 1942 e 1946, John Howard (janeiro a julho de 1947) e o também ator Robert Wilcox (1910/1955, que era violento e batia nela), entre 1950 e 1955. Diana perdeu o pai (de cirrose) quando tinha 21 anos, e a mãe quando tinha 29. Ela abusava do álcool e de drogas, e veio a falecer de overdose em 1960, quando tinha 39 anos…
* não encontrei nada sobre Dolores Barrymore (1930/)…
John Blythe Barrymore Drew Jr. (1932/2004) – foi o segundo filho de John Barrymore eDolores Costello, e meio-irmão de Diana Barrymore. Em 1952, ele se casou com a atrizCara Williams (1925/), com quem teve um filho, John Blyth Barrymore (1954/). O casamento durou até 1959. Em 1960, se casou com Gabriella Pallazoli, e não temos dados de até quando durou essa união. Em 1971, uniu-se a Jaid Barrymore (1946/) e teve uma filha: Drew Barrymore (1975/). Separaram-se em 1984. E finalmente, John se casou com a atriz Nina Wayne (1943/), com quem também teve uma filha, Brahma (Jessica) Blyth Barrymore. Ele fez alguns filmes, entre os quais Quebec (1951), High School Confidential (1958), The Pharaoh’s Woman (1960) e Pontius Pilate (1962), entre outros.
A Nova Geração
Quem representa o Clã Barrymore, atualmente, é a atriz Drew Barrymore (1975/), filha de John Blythe Barrymore Drew Jr., neta de John Barrymore e bisneta de Maurice Barrymore. Desde 1978 (De Repente, O Amor), ela está atuando em Hollywood, e já fez filmes como E.T.,  the Extra-Terrestrial  (1982), Irreconcilable Differences (1984), Cat’s Eye(1985), Motorama (1991), Poison Ivy (1992), Bad Girls (1994), Batman Forever (1995),Scream (1996), The Wedding Singer (1998), Never Been Kissed (1999), Charlie’s Angels(2000), Confessions of a Dangerous Mind (2002), Charlie’s Angels: Full Throttle (2003), 50 First Dates (2004), Music and Lyrics (2007), entre outros…
fonte: http://rogercinema.blogspot.com.br/2012/02/os-barrymore.html

Fantasmagorie – Èmile Cohl

Lançado em 17 de agosto de 1908, Fantasmagorie, foi o primeiro filme de animação do cinema. Produzido em seis meses por Emile Cohl, o filme mostra um boneco que encontra diversos objetos em seu caminho. Vale ressaltar também que o diretor usou suas próprias mãos no decorrer do filme, mostrando assim sua versatilidade.

Èmile Cohl
O jovem Èmile Cohl

Atribui-se ao francês Émile Cohl a paternidade do cinema de animação. Levado pelo seu gosto por desenho, torna-se ilustrador. Também trabalhou como cenarista no teatro, e seu primeiro contato com a produção cinematográfica foi justamente a confecção de cenários para filmes. Cohl era amigo de Georges Mélies, um dos responsáveis pela criação da arte cinematográfica através de suas preciosas trucagens e efeitos especiais.

Em seus trabalhos de animação seus personagens possuem contornos bem nítidos ou são apenas simples linhas esquemáticas. A propriedade fundamental de seus filmes é a metamorfose. Os princípios da tranqüilidade e racionalidade humanas são constantemente perturbados; o impossível se realiza e quase se cria uma lógica do absurdo. Seu primeiro filme animado, “Fantasmagorie” ( 1908 ), com duração de dois minutos, consiste em um fluxo de imagens oníricas, sem uma estrutura narrativa, mas determinada por uma lógica interna. O período de sua maior produtividade é de 1906 a 1912 e sua obra é composta por mais de cem filmes, todos de curta duração. Tendo como matéria prima pessoas, figuras recortadas, bonecos, marionetes ou desenhos, Cohl constituiu para a história do Cinema uma nova estética através do Cinema de animação.

Émile Cohl continuou produzindo filmes nos anos vinte, mas morreu na miséria em 1938. Ainda provoca fascinação em animadores, que reconhecem seu poder misterioso de transformar e distorcer o mundo de figuras e objetos.