Embora poucos de nós goste de ouvir isso, para ter sucesso em qualquer empreitada é necessário paciência, treino constante e rotina diária. Para tomar um simples e bem merecido exemplo, não é por nada que Stephen R. Coveys, autor de best-sellers sobre negócios e auto-ajuda, oferece-nos “7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes”, em vez de “7 Descobertas Súbitas que Mudarão sua Vida para Sempre” – embora se creditarmos aos e-mails, propagandas e links patrocinados a bagunça das nossas vidas on-line, podemos terminar acreditando em soluções rápidas e estradas fáceis para a fama e a fortuna. Mas não, uma habilidade bem desenvolvida surge apenas com o conjunto de rotinas praticadas.

Dito isso, o tipo de rotina que se escolhe depende de muitas circunstâncias pessoais, dessa forma um hábito de uma pessoa criativa não necessita parecer exatamente com os de outras pessoas. Quando falamos sobre a vida dos escritores, esperamos fatos comuns entre eles: um lugar onde se possa escrever livre de distrações, algum método preferido de transcrever o texto do cérebro para o papel, alguma hora do dia em que o fluxo do pensamento funcione melhor. Fora desses parâmetros básicos, a vida diária dos escritores pode parecer tão diferente quanto as imagens em suas cabeças.

Porém parece que uma vez que um escritor se acostuma com um conjunto de hábitos – quaisquer que sejam – eles se prendem a essas rotinas com um rigor particular. A rotina de escrever, diz o hiper prolífico Stephen King, “não é diferente da rotina de deitar para dormir. Você vai para a cama de forma diferente a cada noite? ” Aparentemente não. Quanto ao porquê termos nossas muitas manias, para a hora de deitar, ou para a hora de escrever, King responde honestamente, “eu não sei”.

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Stephen King

Então como é a rotina de King? “Existem certas coisas que eu faço quando sento para escrever”, ele cita nas palavras de Lisa Rogak em “Haunted Heart: The life and Times of Stephen King”:

 “Eu tomo um copo de água ou uma xícara de chá. Existe mais ou menos uma hora que eu sento, entre 8:00 e 8:30, em algum momento nessa meia hora toda manhã”, ele explica. “Tomo minha pílula de vitamina e coloco uma música, sento na mesma cadeira e os papeis arrumados nos mesmo lugares. O propósito cumulativo de fazer as coisas da mesma maneira todo os dias parece uma forma de dizer à mente, você estará sonhando em breve. ”

A citação de King vem até nós através do site (e agora livro) “Daily Routines”, que apresenta breves resumos de “como escritores, artistas e outras pessoas interessantes organizam seus dias”. A seção sobre escritores do site da mesma forma oferece uma janela para dentro das práticas diárias de uma ampla variedade de autores, desde os vivos aos mortos há muito tempo.

Um contemporâneo de King, embora mais lento, um escritor diligente mais autoconsciente, Haruki Murakami incorpora em seu dia de trabalho sua paixão por corridas, algo que ele tornou central em sua filosofia de trabalho. Assim, Murakami mantém uma programação atlética de escrita e rotina.

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Haruki Murakami

Quando estou em modo de escrita para um romance acordo às 4:00 da manhã e trabalho por cinco ou seis horas. À tarde, corro por 10Km ou nado por 1500m (ou ambos), então eu leio um pouco e escuto um pouco de música. Deito-me às nove da noite. Mantenho essa rotina todos os dias sem variação. A repetição por si torna isso algo importante; é um a forma de hipnose. Eu me hipnotizo para alcançar um estado mental mais profundo. No entanto manter essa repetição por muito tem1po, de seis meses a um ano, requer uma boa quantidade de força mental e física. Dessa forma, escrever um romance longo é como um treinamento de sobrevivência. A força física é tão necessária quanto a sensibilidade artística.

Nem todos escritores conseguem aderir a tal modo disciplinado de vida e trabalho, particularmente àqueles autores cujas horas em que estão despertos são, no geral dolorosamente, compartilhadas com empregos.

Um caso quase arquetípico de escritor preso em tal situação, Franz Kafka manteve a rotina que debilitaria a maioria das pessoas e  que não trouxe a força física, para dizer o mínimo. Como Zadie Smith escreve sobre o retrato do autor na biografia de Louis Begley, Kafka “desesperava no seu turno de doze horas que sobrava tempo para a escrita. ”

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Franz Kafka

Dois anos depois, promovido à posição de chefe de escritório no Workers’ Accident Insurance Institute, ele estava agora no sistema de um turno, 8:30 às 14:30. E então? Almoço até 15:30, então dormia até 19:30, então exercícios, então jantar com a família. Depois que ele começou a trabalhar por volta das 23:00 (como Begley cita, a carta – e diário – escrito tomava pelo menos uma hora por dia, e mais normalmente duas), e então “dependendo da minha força, desejo, e sorte, até uma, duas, ou três horas, uma vez até às seis da manhã”. Então “cada esforço imaginário para ir dormir, ” com ele totalmente descansado para ir trabalhar no escritório mais uma vez. Essa rotina fez com que ele estivesse permanentemente a beira do colapso.

Poderia ele ter escolhido uma maneira mais saudável? Quando sua noiva Felice Bauer sugeria isso,  ele respondia, “Essa é a única possível; se eu não posso suportá-la, tanto pior; mas suportarei de alguma forma.” Assim o fez, até próximo a sua morte por tuberculose.

Enquanto a rotina dos escritores, em nenhum lugar está escrito que seus hábitos são saudáveis ou comedidos. De acordo com Simone de Beauvoir, o exageradamente francês, escritor Jean Genet “sentava-se doze horas por dia durante seis meses quando estava trabalhando em algo e quando tinha terminado deixava passar seis meses sem fazer nada. ” Então existem aqueles escritores que têm se apoiado práticas pontualmente insalubres, mas mesmo assim fez uma pessoa tão aparente conservadora como W. H. Auden, que “engoliu benzedrine toda manhã por vinte anos… equilibrando seus efeitos com o barbitúrico Seconal quan ele queria dormir. ” Auden chamava o habito da anfetamina de “dispositivo para salvar o trabalho” na “cozinha mental, ”  embora e adicionava que “esses mecanismos são muito cruéis, suscetível de ferir o cozinheiro e de constante avaria.”

Então, eis aí, diversos modelos de rotinas e hábitos nas vidas de escritores de sucesso. Embora você possa tentar copiá-los se você tem ambições literárias, provavelmente é melhor você descobrir os seus próprios métodos, adequados às suas particularidades ou suas tolerâncias – ou não – para exercícios físicos sérios ou substâncias que alteram o estado da mente.

Esse texto é uma tradução livre do fonte abaixo:

http://www.openculture.com/

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Um comentário sobre “Os Hábitos Diários dos Artistas

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