Sempre soube que era diferente, sim, diferente. Nunca soube sentar entre pessoas desconhecidas iniciar um papo. Jogar conversa fora. Sempre fui aquele está ali, sozinho, perdido no meu mundo interior. Nesse lugar sou o rei. Nesse lugar as pessoas gostam de estar ao meu lado e não me sinto retraído ou tímido. Sinto medo que o meu olhar seja mal interpretado, seja como paquera ou julgamento. Às vezes vejo alguém e me pego olhando longamente, mas na minha mente desenrola-se uma história. Quem é essa pessoa? De onde vem? Por que está ali? Qual os seus desejos? Por que está tão sério, ou sorrindo, ou triste? Esse sou eu, esse mar de divagações e devaneios. É muito fácil eu me perder no labirinto de situações hipotéticas ou irreais. Quando vejo uma menina que anda muito leve imagino asas de borboletas coladas às costas dela. Quando vejo um cara extremamente musculoso logo ele será um gladiador romano e por aí a loucura segue.

Assim, é muito difícil engatar uma conversa. A timidez me torna alguém considerado esnobe e metido, porém, não sou ou pelo menos não me jugo assim. Queria poder me observar de fora, talvez assim perceberia o que há de tão errado comigo.

Voltei à universidade e quando por qualquer motivo tenho que esperar por uma aula ou algo assim sento-me num banco que fica no centro do campus. Observo os muitos grupos que transitam por ali. Vejo os filósofos do nada, as meninas que maquiam-se, os maconheiros contumazes, os diversos gêneros de namorados e todos os outros tipos. Alguns estranhos e outros bem comuns. Os músicos, os filósofos, os letristas… Todos no plural e eu o único singular.

Acho que estou habituado. Hoje sofro esporadicamente. Antes era pior. Mas o tempo ensina e resigno-me.  A maturidade envidencia a minha completa inaptidão de iniciar contatos sociais. Talvez eu esteja quebrado, talvez um dia encontre a cola para unir os pedaços e aprenda essa inalcançável arte!

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O que você deve saber para namorar um soropositivo sem neuras

O que é bom deve ser com partilhado, então peço que vocês leiam o texto de Victor Menezes do blog Latibulo!!!!

Qualquer pessoa independente de sua classe social, cor, etnia ou sexualidade (gay ou hétero) pode contrair o vírus e é importante entender que nem todo soropositivo foi contaminado por relação sexual sem camisinha. Segundo o Ministério da Saúde, o contágio se dá não só por relações sexuais desprotegidas, mas por compartilhamento de seringas, outros objetos […]

https://pequenoromeu.wordpress.com/2015/11/10/o-que-voce-deve-saber-para-namorar-um-soropositivo-sem-neuras/

A Bitch Named Desire!

A Bitch Named Desire!

Depois de uma semana sem postar estou de volta. Essa foi uma semana de sentimentos contraditórios, diria que os tais ainda estão aqui. Muita coisa mudou nesses seis meses e eu ainda não consigo lidar muito bem com essas mudanças. Existe sempre algo me puxando para baixo, colando meus pés na terra. Meu desejo, a tal bitch, era alçar voo. Sim, uma sensação filha da mãe.

Quando a gente quer fazer algo e a realidade nos impede.

Sou um tipo calado que não gosta de lamentações, escuto sempre as pessoas dizerem que sou muito tranquilo, essa semana mesmo disseram “o mundo se acabando e o Wanderson tranquilo.” Mas sempre existe uma outra verdade. Desculpem-me os que querem a verdade acima de tudo, mas estão errados. NÃO EXISTE VERDADE ABSOLUTA! Existem fatos, sim eles existem e podem ser citados em uma lista, porém eles podem ter diversos significados já que estão abertos a interpretações. Cada um interpreta o mundo por seus próprios olhos. É aí onde entra o desejo.

Alguns olham uma Ferrari e veem algo mais que um carro e para mim é apenas um carro como outro qualquer. Outros desejam viajar para os EUA porque podem fazer a compra da sua vida, para mim seria maçante ficar de loja em loja. Então, no meu caso, qual é o problema com o desejo? Eu quero coisas que estão fora do meu poder de realizar, ou por falta de dinheiro, ou porque a realização desse desejo depende da ação dos outros, ou porque não consigo simplesmente. Ah, e não me venha com esse negócio de coaching, que tudo é possível, basta querer e blá blá blá… Negócio frustrante.

Queria que as pessoas não brigassem tanto, queria poder voltar no tempo e ser expectador de algumas coisas para poder entender o presente, queria ter tido a ideia de escrever aquele livro que eu amo, queria ter as ferramentas para ser menos preocupado, queria ser mais social, queria não ser tão tímido, queria fazer uma viajem com todos os que eu amo… enfim minha lista de desejos é bastante longa. Não desejo a grande mansão, o carro mais legal, a roupa da moda. Definitivamente não. Meu mundo interno é mais interessante que o exterior por isso é tão complexo. Assim, as pessoas nunca me entendem e grande parte do tempo é solitário estar na minha pele. Meu desejo real era apenas poder conversar sobre o que eu gosto, sair e não ter que beber para me soltar e parecer interessante, que as pessoas gostassem de mim, mesmo eu sendo esse cara comum e não o mais extrovertido. Sinto isso todos os dias. Me pego pensando se sou eu que não sou interessante ou se gosto tanto de todos que gostaria de ter mais atenção.

Escuto sempre as pessoas me dizerem:

    • Vá lá!
    • Fale o que você pensa!
    • Não se importe com a opinião dos outros! (Esse é o pior para mim. Eu já sou trancado dentro de mim, já pensou se eu for indiferente? Serei um autista completo.)
    • Seja autêntico. (como assim, não sou autêntico? Quem quer tudo igual ao de todos os outros é autêntico e eu não?)
    • Saia de casa, veja gente! (qual será a diferença? Ficar em casa sozinho ou fora de casa, cercado de pessoas que eu não conheço?)

E segue uma relação longa de conselhos úteis que todos têm.

Enfim, loucuras a parte perdidas nesse texto desconexo, o desejo é sempre algo estranho, pode machucar ou pode mover. Quando está ao meu alcance eu batalho e quando não está exige um certo tanto de esforço para desapegar. Então é sempre uma luta.

O que eu digo a mim mesmo é o seguinte: “use um filtro e lute pelo que você consegue e aguarde que talvez um dia consiga o restante.” É o meu esforço para alcançar os meus desejos.

O Ser

O Ser

O ranger das árvores que dançam ao sabor do vento. O eterno girar da vida. Os altos e baixos de tudo o que nos acontece. O medo da morte. A sucessão dos fatos da vida. Do sorriso à lágrima, da dor à alegria. O anjo da vida e o da morte. O medo da vida. O olhar daqueles que nos julgam medíocres e não percebem a mediocridade de si mesmos.

Sonhos que assombram nossas noites, a polução noturna. O anseio de viver. O desperdício de ser. O verde da grama. O alanranjado do sertão. O cinza das águas.

Saber e desconhecer. O mistério e o revelado. A contradição, a ironia. Ao sarcasmo… À mentira.