A Incrível História de Adaline
A Incrível História de Adaline

Para você que, assim como eu, cansou de tantos efeitos especiais no cinema existe uma esperança no fim do túnel. Passei os últimos meses sendo assediado pelo Youtube a respeito desse filme. Todas as vezes que abria a página esse trailer surgia como indicação e eu torcia o nariz esperando mais um drama açucarado de Nicholas Sparks. Mas, eis que me vem a surpresa. Não é, de todo, açucarado e muito menos meloso.

Começamos o filme conhecendo Jenny, essa mulher com ar triste, que trabalha nos arquivos públicos da cidade e que por alguma razão usa documentos falsos. Em mais um dia comum no trabalho lhe entregam rolos de filmes do começo do século vinte para serem catalogados antes de serem transformados em mídia digital. As imagens emocionam muito Jenny e trazem lembranças antigas, tão antigas que não parecem ser dela. Como pode aquela mulher linda e jovem ter lembranças sobre a construção da Golden Gate?

Assim Adaline Bowman (Blake Lively), sob o pseudônimo de Jenny, nos é apresentada. Uma mulher solitária que vive apenas com seu cachorrinho, queria muito saber que raça é aquela. E um narrador nos apresenta essa mulher feliz, casada com o grande amor da sua vida e com uma filha pequena, vivendo sua vidinha normal suburbana de dona de casa. Porém após a morte de seu marido, numa noite que excepcionalmente nevava, ela sofre um acidente de carro e morre. E com a confluência de inúmeros fatores meteorológicos e biológicos é reanimada com um único efeito colateral: o de não envelhecer. Segue então com a sua vida desconhecendo sua condição. No entanto, os anos passam e todos ao seu redor envelhecem e ela inicia então uma busca para entender o que se passa. Lê toda a literatura médica a respeito mas como já sabemos através do narrador o fato só seria descoberto em 2035. Com medo de se tornar uma cobaia de laboratório despede-se de sua filha e embarca em uma vida solitária mudando de endereço e identidade a cada década. Eu ainda gostaria muito de saber a raça do cachorrinho!!!

Durante uma festa de réveillon conhece Ellis Jones (Michiel Huisman) e os dois se apaixonam perdidamente, porém Adaline precisa manter as aparências e esconder o fato ter atingido os 107 anos de vida.

A partir daqui tudo o que eu disser será spoiler então vamos às minhas impressões.

Dirigido por Lee Toland Krieger, A Incrível História de Adaline, é um belo filme, de estética minimalista, atuações interessantes e com participações de atores de peso como Harrison Ford, Ellen Burstyn e Kathy Baker. Gostei muito de haver um narrador que torna o filme em uma história fantástica, excluindo assim a opinião daqueles que buscam a realidade em tudo. Sim, o filme é de realismo fantástico, lide com isso! Haters gonna hate! Mas para mim essa é a qualidade que mais me aproxima de Adaline.

A temática central é a discussão sobre a imortalidade, ou melhor, a juventude eterna. Nossa heroína vive sob o julgo da maldição da juventude eterna. Imagine-se jovem e belo por toda a eternidade, enquanto os seus afetos definham ao passar dos anos e morrem abandonando-o à solidão da memória do que se foi. E, para piorar, temendo adquirir novos afetos e repetir toda a dor que virá com o passar do tempo.  Com a rotina repetida tudo se torna banal, tanto tempo de vida proporciona uma observação enfadonha do ser humano, nada é novo apenas a repetição da mesmice.

Como um outro crítico disse, Adaline é um Benjamim Button que deu certo. Eu concordo, tanto se observado pela ótica do personagem quanto pela construção da história. Na minha opinião, mesmo sendo um assunto muito abordado no passado, como em Highlander, O Retrato de Dorian Grey, para citar alguns, esse filme me tocou por mostrar essa possibilidade de uma mãe jovem e bonita conviver com a filha velha e a procurar de lares de idosos. Ou seja, apesar de se tratar de uma história fantástica, somo tomados pelas reais consequências do pode vir caso uma situação assim ocorra de verdade. E essa relação mãe/filha me tocou muito. Mencionando também o fato da grande atriz Ellen Burstyn ser tão mal aproveitada pela indústria cinematográfica.

Apesar de todos os clichês românticos é um filme que funciona muito bem: é belo aos olhos e profundo sem pretensão de ser. Gosto de histórias que me transportam a outra realidade sem parecer arrogante, sem precisar de intelectualismos. Uma boa diversão.

 

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