Crítica e sociologia

Até certa altura do século XIX via-se o estudo da relação entre a obra e sua condição social como ponto essencial para sua compreensão. Porém, atualmente, para a critica essa relação só vale se o condicionamento social de uma obra estiver dentro de sua estrutura. Fundindo texto e contexto, ambos dialogando para a totalidade da obra, de outra forma, o que é externo ao texto, o social, importa menos como causa ou significado, mas, como elemento estrutural, tornando-se interno. É importante observar, na crítica, os fatores da organização interna da construção do texto, assim, se os fatores sociais possibilitam a realização do fator estético e também se são determinantes do valor estético. No caso do romance Senhora de José de Alencar o fator social não apenas contribui para o sentido do texto mais também é fator da própria construção estética, pois em suas partes esses fatores contribuem para a totalidade da obra. Quando observamos por este prisma, deixamos de lado apenas a orientação sociológica e observamos uma avaliação estética que assimilou o contexto social como fator de arte. No entanto, nada impede que o crítico use dos elementos que prefira, como os sociológicos, psicológicos e etc., porém a crítica moderna superou o sociologismo crítico como único aspecto. Aproximando o traço e o contexto, focamos nossa atenção no aspecto estrutural da unidade considerada. Assim, buscamos um equilíbrio, pois, a sociologia da literatura e a história da literatura devem estar bem orientadas para a contribuição do trabalho do crítico.

O autor, como fator didático, enumera algumas modalidades de estudos do tipo sociológico:

  • Trabalhos que procuram relacionar o conjunto de uma literatura, um período, um gênero unicamente com as condições sociais, o estudioso enumera fatores políticos, econômicos, ligando a obra às instituições segundo sua orientação pessoal. Utilizando a literatura apenas para apontar problemas sociais, fugindo do que é a crítica.
  • Trabalhos que verificar o quanto uma obra retrata a sociedade, descrevendo seus aspectos, buscando estabelecer o quanto de verdade aparece no livro.
  • Trabalhos que estudam a relação entre a obra e o público, ou seja, aborda a aceitação de uma obra através do tempo. Esse tipo de estudo é baseado no nível de erudição de um grupo social.
  • Trabalhos que estudam a função social do autor, relacionando a sua posição com a natureza da sua obra e ambos perante a sociedade.
  • Trabalhos que estudam a função ideológica (política) de uma obra.
  • Trabalhos que estudam o caráter diacrônico da literatura, sua origem ou de determinados gêneros.

Nos casos supracitados vê-se o distanciamento entre a sociologia e a estética, observam apenas o aspecto social que formam sua matéria. Mesmo sendo esses aspectos importantes para a construção de uma obra literária não podemos considera-los como exclusivos, pois na literatura a realidade tende a ser transformada. Porém, na falta de mecanismo mais eficaz, usamos a dicotomia dos fatores externos e interno para filtrar os elementos de ordem social a fim de entender a singularidade e autonomia de uma obra.

CANDIDO, Antonio. Crítica e sociologia. In: Literatura e sociedade. São Paulo: Ouro Sobre Azul, 2006. (p. 13-25).

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