O ESSENCIAL SOBRE A LINGUÍSTICA

Como se sabe que uma língua é uma língua?

Entendendo-se a língua como um sistema de comunicação que faz uso da faculdade da linguagem ativada pela exposição dos falantes a estímulos linguísticos durante o período de aquisição da língua, podemos inferir alguns conceitos pertinentes como:

  • Dialeto: identifica o sistema linguístico próprio de uma dada região
    • Socioleto: um conjunto de dialetos que corresponde a um recorte social da língua.

Nesse conceito podemos compreender que uma língua remete a ideia de um sistema linguístico que reúne todos os dialetos falados em um país e que sua variedade deve ser interpretada como a manifestação nacional que uma língua falada em diferentes países assume em cada um deles. No entanto, devemos levar em consideração que os critérios objetivos (inteligibilidade mútua, o número de falantes, a coesão geográfica e política de uma determinada comunidade de falantes, etc.,) tornam mais difícil a construção desses conceitos. Dessa forma, a linguística lança mão de termos como língua materna, língua segunda, língua estrangeira, língua oficial, língua de trabalho e outros. Com todas essas variáveis, é difícil determinar o número de línguas existentes, pois, depende de como se determina uma língua e de como se classifica um dialeto.

Em Portugal, onde dentro do conceito exposto a cima, fala-se predominantemente o Português e essa comunidade é em sua maioria de falantes nativos. Porém, inseridos nessa população, encontram-se os falantes dos dialetos setentrionais, centro-meridionais e os dialetos insulares. É relevantes lembrar, que Portugal possui três línguas oficiais determinadas por lei: o Português, a língua Gestual Portuguesa e o Mirandês.  Assim como é esperado que em Portugal se fale o Português, no Brasil essa língua só é compreendida sob a ótica do contexto histórico, por efeito da nossa colonização e perpetuação do meio político. Desta forma, diversos países se comunicam em Português nos cinco continentes.

Não devemos conferir a uma língua maior valor intrínseco, mesmo com um número superior de falantes ou se é usada por muitas instituições internacionais, esses fatores apenas asseguram maior sobrevivência, pois se considera que uma língua falada por uma comunidade menor a 100 000 indivíduos tem menor possibilidade se existir em um mundo onde as ferramentas de multimídia difundem cada vez mais as línguas em maior destaque. Formar um juízo de valor sobre ser um dialeto ou língua errado ou correto, estes apenas de interesse dos estudiosos da gramatica normativa na forma culta, apenas contribuem para pré-conceitos, haja vista que de nada interessam à linguística.

De onde vem a reflexão sobre a linguagem e as línguas?

A invenção da escrita

Quando os sumérios e os egípcios criaram formas de escrita, o fizeram, pois, após uma tomada de consciência da estrutura da língua para assim transforma-la da forma falada para a escrita. Os egípcios associavam imagens de objetos e sons na forma de hieróglifos, os chineses usavam os ideogramas para representar objetos e conceitos. Essas conquistas ocorreram após uma análise, ainda rudimentares, das unidades básicas da língua como as palavras e as frases. No início do II milênio a. C., os fenícios criaram um alfabeto de base fonética, este alfabeto foi interpretado pelos gregos e romanos, criando-se, assim, os sistemas morfológicos contemporâneos.

Primeiras gramaticas

As primeiras gramáticas foram pensadas pelos hindus (I milênio A.C.). O Sânscrito, que significa ‘perfeito’, era tido como sagrado, era usado de forma ritualística, deveria ser pronunciado de forma correta, então os sábios hindus compilaram sua descrição em sons e silabas a fim de evitar deformações.

Os gregos e romanos

Os gregos estudaram sua língua por duas razões, a primeira era um curiosidade sobre a formação da língua, suas variedades e transformações, levando a reflexões filosóficas como as de Platão e Aristóteles. A segunda razão é a busca por um aprofundamento no conhecimento da funcionalidade da língua. Criaram gramáticas e aperfeiçoaram o alfabeto. Como exemplo, Dionísio de Trácia distinguiu as oito partes do discurso (artigo, nome, pronome, verbo, particípio, advérbio, preposição e conjunção), Apolónio Díscolo, em sua obra, desenvolveu a análise sintática, seguindo o modelo de Aristóteles de sujeito e predicado. Preocupados com os poetas antigos e seus textos, criaram a filologia. Os romanos foram além dos estudos filosóficos ou da doutrina gramatical, pensaram no uso da língua para o uso literário, nas questões etimológicas, na retórica e na classificação das palavras.

Idade média

O latim era usado como língua franca nesse período, sistematizando seu uso, foram criadas as primeiras gramáticas para o ensino da língua estrangeira. Nesse mesmo período, como a invenção de Gutemberg, a tipografia, as gramáticas de língua vernácula e escritas nessas línguas começaram a chegar com mais facilidade às mãos dos estudantes. Fernão de Oliveira escreveu a primeira gramática em Português no ano de 1536. Com esses estudos a fonética obteve grande desenvolvimento.

Renascimento e o interesse pelo vernáculo

As viagens marítimas e as mudanças na transição da idade média para o renascimento surgiu a necessidade do estudo das línguas particulares (em vernáculo). No século XVI as Cartinhas ou Cartilhas eram usadas para o ensino da leitura e da escrita, além dessas foram criadas, também, as Ortografias. Com o incremento do ensino das línguas vernáculas foram criados os dicionários e vocabulários descrevendo, por exemplo, o Português pois o latim ocupava cada vez menos espaço. No século XVII cresce o interesse em reflexões filosóficas sobre a linguagem humana e as características universais da língua.

Resumo para a disciplina de Teorias Linguísticas.

MATEUS, Maria Helena Mira & VILLALVA, Alina. O essencial sobre a linguística. Lisboa: Caminho, 2006.(p. 21-37)

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